Macroinvertebrados como bioindicadores da ocorrência de microplásticos em riachos urbanos
Author:
Pergher, Mariana Larissa
Abstract:
A contaminação por microplásticos (MPs) é uma ameaça emergente aos ecossistemas aquáticos, mas os fatores que determinam sua incorporação por macroinvertebrados em riachos urbanos ainda são pouco compreendidos, particularmente em ambientes conectados a sistemas estuarinos. Neste estudo, amostramos macroinvertebrados aquáticos em 12 riachos conectados às baías Norte e Sul, na região metropolitana de Florianópolis, no sul do Brasil, uma importante área de maricultura, para testar as hipóteses de que a concentração de MPs nos tecidos (i) varia entre táxons com diferentes nichos ecológicos, (ii) aumenta com o grau de urbanização da bacia de drenagem e (iii) está positivamente associada à concentração de MPs na água. Foram identificadas 299 partículas em 213 indivíduos, sendo 161 Baetidae (Ephemeroptera), 43 Libellulidae (Odonata) e 9 Megapodagrionidae (Odonata). Modelos lineares generalizados mistos (GLMM) mostraram que a densidade de MPs nos tecidos diferiu entre os táxons, sendo aproximadamente 7–12 vezes maior em Baetidae e Megapodagrionidae do que em Libellulidae. Fibras e fragmentos predominaram, enquanto as partículas azuis e pretas foram as mais frequentes. A concentração de MPs na água não apresentou associação significativa com a densidade de MPs nos organismos após o controle pela identidade taxonômica, embora Megapodagrionidae tenha apresentado associação positiva significativa. Nitrogênio total, fósforo total, salinidade, sólidos totais dissolvidos, condutividade elétrica e urbanização apresentaram associações negativas com a concentração de MPs nos organismos, enquanto o oxigênio dissolvido apresentou associação positiva. Esses resultados indicam que a incorporação de MPs por macroinvertebrados não é determinada exclusivamente pela contaminação da água, mas também pela identidade taxonômica e pelas condições ambientais associadas à urbanização e à conectividade com sistemas estuarinos. Considerar a ecologia dos organismos é, portanto, essencial para interpretar padrões de exposição a MPs e aprimorar o biomonitoramento da poluição plástica em riachos urbanos.