Cultura, memória, educação da sensibilidade política: mulheres, literatura e cinema na elaboração do recente passado ditatorial

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Cultura, memória, educação da sensibilidade política: mulheres, literatura e cinema na elaboração do recente passado ditatorial

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Title: Cultura, memória, educação da sensibilidade política: mulheres, literatura e cinema na elaboração do recente passado ditatorial
Author: Nogueira, Rhebeca Miranda
Abstract: O presente trabalho tem origem no projeto Cultura, memória, educação da sensibilidade política: mulheres, literatura e cinema na elaboração do recente passado ditatorial, pertencente ao programa de pesquisa Teoria Crítica, Racionalidades e Educação (VI e VII): estudos (e novos estudos) para a compreensão do tempo presente. Tomamos como principal objeto de pesquisa o livro As meninas, de Lygia Fagundes Telles (1918-2022), publicado originalmente em 1973, ano que sucedeu, segundo o historiador Carlos Fico, o de maior júbilo e propaganda da ditadura, em função das comemorações do Sesquicentenário da Independência, e antecedeu o do início do governo de Ernesto Geisel (1907-1996), quando começa o processo de distensão do regime, que nas palavras de seu principal idealizador, Golbery do Couto e Silva (1911-1987), deveria ser “lenta, gradual e segura”. Se a arte é expressão do inconsciente de uma época, como assevera Theodor W. Adorno, já que o artista plasma a experiência social em forma estética, o livro de Lygia é hoje uma peça pedagógica notável ao expressar literariamente a vida de jovens mulheres e seus enfrentamentos sociais, políticos e existenciais. Com voz própria e linguagem que faz jus ao que conta, ela faz um retrato síntese de muitas das questões do Brasil de então, em plena ditadura militar, em meio ao “milagre” da modernização conservadora. Diferentemente de outras produções da época, como Bar Don Juan (1971), com o qual Antonio Callado apresenta a guerrilha como um “clube do Bolinha”, retratando o espírito desse tempo, em que mulheres foram restritas, muitas vezes, apenas ao pano de fundo da revolução, Lygia cede o palco a elas, ficando os homens desta vez como figurantes da vez. Ao contar a história de três moças com pouco mais de 20 anos cada uma, Lorena, Lia e Ana Clara, que vivem em um pensionato administrado por freiras em São Paulo, a autora nos convida a pensar a trajetória feminina no período ditatorial. A partir disso, são postos em pauta memória, delírio, expectativa e trauma e como esses elementos operam em meninas com histórias diferentes, mas que convivem em uma mesma experiência histórica. Ainda, ao articularmos a obra com o livro As meninas exemplares (1858), de Condessa de Segur (1799-1874), compreendemos como As meninas diz sobre a crise do ideal de feminilidade, contradizendo a promessa de perfeição, docilidade e passividade. Ao registrar a contradição e a decadência de ser uma menina em um momento de repressão e violência, a literatura de Lygia funciona como uma espécie de diagnóstico da época vivida no país.
Description: Promoção da igualdade, fortalecimento da democracia e governança
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/276156
Date: 2026-09-10


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Olá, meu nome é Rebeca Miranda Nogueira,.mp4 88.20Mb MPEG-4 video View/Open Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Ciências da Educação Departamento de Estudos Especializados em Educação

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