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Abstract:
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A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa multifatorial cuja fisiopatologia envolve não apenas a degeneração dos neurônios dopaminérgicos, mas também mecanismos sistêmicos de neuroinflamação, estresse oxidativo e disfunção mitocondrial. Paralelamente, evidências crescentes demonstram que a hipercolesterolemia extrapola seu papel como fator de risco cardiovascular, promovendo inflamação sistêmica persistente, alterações da barreira hematoencefálica e comprometimento da homeostase cerebral. Embora o colesterol periférico não atravesse significativamente a barreira hematoencefálica, a resposta inflamatória desencadeada pela hipercolesterolemia favorece a ativação microglial, altera a função mitocondrial e compromete mecanismos essenciais para a plasticidade sináptica e a sobrevivência neuronal. Apesar dessas evidências, estudos clínicos que investigam a associação entre hipercolesterolemia e DP permanecem inconclusivos, sendo limitados por fatores de confusão e pela dificuldade de estabelecer relações de causalidade. Em contrapartida, modelos experimentais demonstram de forma consistente que alterações persistentes do metabolismo lipídico induzem um estado basal de vulnerabilidade cerebral caracterizado por neuroinflamação, estresse oxidativo e disfunção bioenergética, compartilhando mecanismos centrais com a neurodegeneração dopaminérgica. No entanto, ainda são escassos os estudos que avaliam diretamente se a hipercolesterolemia potencializa os efeitos de agentes neurotóxicos clássicos, como o MPTP, especialmente sobre os sintomas não motores da DP. Com isso, o objetivo do trabalho, foi a investigação do desenvolvimento de sintomas não motores da Doença de Parkinson, relacionados à capacidade olfativa, anedonia, memória e comportamento tipo-ansioso, em camundongos nocautes para o receptor de LDL, um modelo animal de hipercolesterolemia familiar, após a administração intranasal de MPTP que modela as fases iniciais da Doença de Parkinson. Foram utilizados camundongos C57BL/6 e nocautes para o receptor de LDL machos e fêmeas, divididos nos grupos tratados com MPTP intranasal (1 mg/narina) ou salina. Cinco dias após os tratamentos, foram realizados os testes do campo aberto, discriminação olfatória, labirinto em cruz elevado, labirinto em Y modificado, reconhecimento de objeto novo e borrifagem com sacarose. Observamos que que o modelo animal de hipercolesterolemia familiar agravou a suscetibilidade ao desenvolvimento de sintomas não motores da Doença de Parkinson induzida por MPTP, especialmente em fêmeas nocautes para o receptor de LDL, que apresentaram déficit na discriminação olfatória e maior comportamento tipo-ansioso. Esses achados contribuem para uma melhor compreensão da relação entre a hipercolesterolemia familiar e a Doença de Parkinson, evidenciando um dimorfismo sexual nas respostas comportamentais. |