A desinformação e empreendedorismo em saúde no Instagram
Author:
Zanini, Ana Luiza
Abstract:
O plano de trabalho desenvolvido por esta bolsa PIBIC se situa no âmbito da parceria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com o Laboratório de Humanidades Digitais (LABHD) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que co-coordena com o Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da mesma universidade a proposta aprovada no Edital CNPq/Decit/SECTICS/MS – Nº 30/2024 – Prevenção e Enfrentamento à Desinformação Científica em Saúde. Este projeto de Iniciação Científica teve como objetivo identificar e analisar dados qualitativos acerca da desinformação vacinal e empreendedorismo em saúde nos principais veículos midiáticos, em especial a plataforma Instagram, pelo projeto “Ecossistemas multiplataforma e ataques à integridade da informação em saúde: impactos, padrões de disseminação e estratégias de mitigação”, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Letícia Cesarino. A pesquisa adota uma abordagem de métodos mistos, articulando estrutura computacional de dados com análises antropológicas. Durante o período do projeto, foram realizados treinamentos na plataforma ElasticSearch/Kibana para a construção de léxicos e queries (conjuntos de palavras-chave) específicos para o segmento vacinal, bem como para a criação de um dashboard (painel de visualização) com gráficos e tabelas, facilitando o acesso e a compreensão dos dados para posterior análise antropológica, conforme o recorte da pesquisa. A análise de dados na plataforma Instagram revela que a desinformação vacinal está relacionada a uma supervalorização do natural e da escolha individual. A análise desses conteúdos mostrou que a interface fortalece os vínculos de afetos, criando, em conjunto com o algoritmo, um ciclo de retroalimentação afetivo, onde os usuários criam uma rede de relações e identidades. Para o empreendedorismo, a análise revela vendas de protocolos, tecnologias, consultas e fitoterápicos. Para concluir, considero que o estudo de narrativas de ataque à integridade da informação em saúde, com um olhar socioantropológico, pode contribuir para a mitigação de conteúdos digitais desta natureza.