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Abstract:
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A leishmaniose visceral canina (LVC), causada por Leishmania infantum, é uma doença de importância veterinária e em saúde pública, caracterizada por alterações imunológicas que podem estar associadas a modificações na microbiota do hospedeiro. Este estudo teve como objetivo caracterizar e comparar a microbiota oral e retal de cães com LVC em dois momentos, antes do tratamento com miltefosina (T0) e 30 dias após o seu início (T1), buscando identificar alterações na diversidade, composição das comunidades bacterianas e possível influencia no tratamento na disbiose canina. Amostras obtidas por swabs orais e retais foram submetidas à extração de DNA, amplificação do gene 16S rRNA por PCR, purificação e sequenciamento pela plataforma Nanopore (MinION - Oxford Nanopore Technologies), seguido de classificação taxonômica e análises de diversidade. A alfa-diversidade revelou comportamentos distintos entre os sítios anatômicos, com tendência de aumento da diversidade oral entre T0 e T1, evidenciada pelo aumento da riqueza observada e do índice de Shannon, enquanto as amostras retais apresentaram tendência de redução desses parâmetros. A beta-diversidade demonstrou separação entre as comunidades oral e retal, indicando que o sítio anatômico constitui um importante fator de estruturação da microbiota, enquanto as amostras de T0 e T1 apresentaram maior sobreposição. A análise da abundância relativa evidenciou perfis taxonômicos distintos entre os compartimentos, com presença expressiva de espécies de Porphyromonas na microbiota oral e de Phocaeicola, Fusobacterium, Bacteroides e Faecalibacterium na microbiota retal. Entre os táxons detectados, destacaram-se ainda bactérias de potencial oportunista, como Porphyromonas gulae, associada à doença periodontal canina, e Bacteroides pyogenes, que apresentou elevada abundância em algumas amostras específicas. As variações entre T0 e T1 foram heterogêneas entre os indivíduos, não sendo identificada uma resposta taxonômica temporal uniforme. Contudo, os resultados devem ser interpretados com cautela devido às diferenças na profundidade de sequenciamento e aos critérios de filtragem por tamanho das leituras, que podem influenciar as estimativas de diversidade e abundância. Em conjunto, os dados evidenciam diferenças entre as microbiotas oral e retal de cães com LVC e sugerem alterações distintas em sua diversidade e composição ao longo do período de acompanhamento, indicando a importância de continuar a investigar a relação entre microbiota, tratamento e evolução da doença. |