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Abstract:
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Introdução: A dipirona é um analgésico e antipirético utilizado no tratamento da dor e febre. É um pró-fármaco, pois, após a absorção, é rapidamente hidrolisada, originando 4 metabólitos principais: 4-metilaminoantipirina (4-MAA), a 4-aminoantipirina (4-AA), 4-formilaminoantipirina (4-FAA) e a 4-acetilaminoantipirina (4-AAA). Resultados anteriores demonstraram interferências da dipirona e seus metabólitos in vitro e in vivo em exames laboratoriais, especialmente aqueles que envolvem a reação de Trinder, empregadas na determinação de compostos como ácido úrico, glicose, colesterol e triglicerídeos. Descrever o mecanismo de interferência dos metabólitos da dipirona é fundamental para melhorar a acurácia dos exames laboratoriais, evitar diagnósticos equivocados, aprimorar as metodologias laboratoriais, desenvolver estratégias de correção, além de alertar profissionais de saúde sobre fatores que podem afetar os exames. Objetivos: Investigar o mecanismo de interferência dos metabólitos da dipirona nas reações de Trinder. Metodologia: O estudo foi realizado em 4 etapas: 1. Estudo da interferência na formação do cromógeno: ensaios de ácido úrico, colesterol, triglicerídeos e glicose, foram realizados com padrão ou com peróxido de hidrogênio, na presença ou ausência dos metabólitos da dipirona. 2.Efeito na atividade da oxidase: a atividade da enzima glicose oxidase foi avaliada após incubação do padrão com reagente de glicose, na presença e ausência dos metabólitos da dipirona, e medida a quantidade de glicose residual pelo método da hexoquinase. 3.Competição dos metabólitos da dipirona com os substratos da reação de Trinder: foram adicionadas aos reagentes comerciais diferentes concentrações dos componentes da reação (diclorofenol, antipirina, oxidase específica, peroxidase e peróxido de hidrogênio) na presença ou ausência dos metabólitos. 4.Redução do composto colorido formado: adição de diferentes concentrações dos metabólitos da dipirona após a formação do cromógeno. Resultados: O ácido úrico foi mais suscetível à interferência dos metabólitos da dipirona, em comparação aos demais. Os metabólitos interferiram, em diferentes graus, pelo mesmo mecanismo nos ensaios estudados. Não alteraram a cinética de produção do cromógeno, não reduziram o cromógeno e não inibiram a ação da oxidase específica (glicose oxidase). Também não interferiram de forma dependente das concentrações dos constituintes do sistema Trinder. Entretanto, a interferência do MAA foi inversamente proporcional à concentração do peróxido de hidrogênio na reação. Conclusão: O consumo de peróxido de hidrogênio parece ser o mecanismo químico predominante da interferência dos metabólitos da dipirona no método Trinder. Formas de minimizar a interferência negativa dos metabólitos da dipirona nos testes de Trinder seriam: a incorporação aos reagentes de substâncias inibidoras dos metabólitos, o uso de métodos resistentes ou a suspensão do uso de dipirona antes da coleta de sangue. |