Escutando três pioneiras da antropologia da UFSC: Anamaria Beck, Maria Amélia Dickie e Esther Jean Langdon
Author:
Ceolin, Guilherme Côrtes
Abstract:
Esta pesquisa investiga as memórias, condições materiais de produção, marcas da docência e o engajamento político de três professoras pioneiras no departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Inserida no projeto “Gênero e Ciências no Século XXI” com bolsa de pesquisa PIBIC/CNPq e no projeto “Outros Olhares para a Antropologia” foram entrevistadas Anamaria Beck, Maria Amélia Dickie e Esther Jean Langdon. Em contraposição à memória hegemônica institucional que destaca os “pais fundadores”, o estudo indaga quais histórias contam as mulheres que fundaram linhas de pesquisa fundamentais, através de articulações políticas, disputas institucionais e insistências.
Epistemologicamente, o trabalho parte do pressuposto de que a antropologia feminista constitui uma reflexão crítica sobre poder e quais saberes são validados. Para realizar essa análise, adotou-se a perspectiva da “antropologia da antropologia” proposta por Marisa Ruiz Trejo articulando com a categoria de gênero como um sistema de prestígio formulada por Alinne Bonetti a partir de Sherry Ortner. Esse referencial dialoga com as discussões sobre trajetórias e parcerias de antropólogas pioneiras da antropologia desenvolvidas por Bruna Klöppel e Miriam Grossi.
A estrutura metodológica realiza-se através de entrevistas construídas colaborativamente em equipe, fundamentando-se em conceitos da antropologia visual. Busca dos currículos e publicações através da plataforma Lattes ou de acervos físicos do Museu Antropológico e da Biblioteca Universitária. Também constituem a metodologia deste trabalho a transcrição e posterior análise do conteúdo das entrevistas.
A análise das narrativas revela rupturas éticas teóricas e pedagógicas importantes. Como a transição de Anamaria Beck da arqueologia para a antropologia; os caminhos trilhados por Maria Amélia Dickie desde a fundação do primeiro coletivo feminista de Florianópolis até a sua aposentadoria e dedicação a trabalhos manuais que, posteriormente a permitiram refletir sobre sua trajetória como docente; a defesa de uma etnografia de longa duração feita por Esther Jean Langdon que são reafirmadas no seu compromisso com a pesquisa que segue presente mesmo aos seus 82 anos de idade.
O trabalho evidencia que a história da antropologia na UFSC foi construída por mulheres reais, atravessadas por lutas políticas, contradições e preconceitos institucionais, que nos ensinam que fazer ciência é, antes de tudo, uma atitude de escuta: saber ouvir, ter paciência e reconhecer com respeito os caminhos que já foram abertos por quem veio antes de nós.
Description:
Promoção da igualdade, fortalecimento da democracia e governança