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Abstract:
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Santa Catarina consolidou-se como um dos principais polos de atração migratória no Brasil. Segundo o Censo do IBGE (2022), o estado registrou o maior saldo migratório positivo no país, com acréscimo de 354,3 mil pessoas em cinco anos, e Florianópolis destaca-se como principal destino da migração interna de longa distância. Esse crescimento populacional impõe desafios à educação básica, etapa em que migração representa ruptura abrupta nos laços afetivos e socais de crianças e adolescentes, fases críticas de formação identitária.
Esta pesquisa analisa as percepções docentes sobre os processos de acolhimento e inclusão de estudantes migrantes na educação básica, tomando como estudo de caso o Colégio de Aplicação da UFSC (CA/UFSC). A escolha da instituição justifica-se por sua singularidade: ingresso majoritariamente por sorteio público, o que assegura expressiva diversidade socioeconômica e cultural em seu corpo discente.
O referencial teórico articula Bourdieu, especialmente o conceito de capital social, com Vygotsky, Wallon e Bronfenbrenner, autores que fundamentam a compreensão do desenvolvimento a partir das relações sociais e do contexto em que o sujeito está inserido. A metodologia combina levantamento bibliográfico e documental, sistematização de dados do IBGE via plataforma SIDRA, e aplicação de questionário semiestruturado ao corpo docente do CA/UFSC, conforme as Resoluções CNS nº 466/2012 e nº 510/2016.
Os resultados, obtidos a partir de dez questionários válidos, revelam um padrão relevante: embora quase todos os docentes já tenham tido contato com estudantes migrantes, de migração interna e também internacional, incluindo haitianos e venezuelanos, o desafio mais citado não é pedagógico, mas social, ou seja, a dificuldade de integração entre colegas foi apontada por 80% dos respondentes, à frente de barreiras linguísticas ou curriculares. Na mesma proporção, 80% dos docentes já presenciaram situações de preconceito relacionadas à origem dos estudantes.
Constatou-se ainda que muitos professores desconhecem políticas formais de acolhimento do colégio e de fácil acesso. Ainda assim, a maioria desenvolve, por iniciativa própria, estratégias como diálogo individual e adaptação de atividades, indicando que o acolhimento depende significativamente do esforço individual docente, mais do que de política institucional específica.
Conclui-se que, apesar do reconhecimento quase unânime do valor pedagógico da diversidade cultural migratória, há lacuna estrutural na formação docente e nas políticas de acolhimento por parte das instituições de ensino. A pesquisa contribui para preencher uma lacuna na literatura, que tende a priorizar a migração internacional em detrimento da interna, fenômeno predominante em Florianópolis, apontando a necessidade de políticas que transformem esse potencial em prática pedagógica efetiva. |