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Abstract:
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O adiamento da maternidade, decorrente de transformações sociais, econômicas e culturais das últimas décadas, tem elevado a idade média da primeira gestação e, consequentemente, a procura por tecnologias de reprodução assistida (TRA). A fertilidade feminina declina progressivamente após os 35 anos, principalmente em razão da redução qualitativa e quantitativa da reserva ovariana, o que se associa a maior incidência de aneuploidias embrionárias e a menores taxas de sucesso na fertilização in vitro (FIV). A seleção embrionária tradicionalmente realizada por meio de critérios morfológicos apresenta limitações relacionadas à incapacidade de detectar alterações cromossômicas ou metabólicas subjacentes, o que justifica a busca por biomarcadores não invasivos capazes de aprimorar a predição da viabilidade embrionária. Parte-se da hipótese de que a idade materna influencia não apenas a quantidade, mas principalmente a qualidade e a competência cromossômica dos embriões formados por FIV, impactando os desfechos gestacionais. O objetivo do estudo foi g avaliar parâmetros maternos e de desenvolvimento embrionário correlacionando-os com a idade materna e os desfechos gestacionais. Foram extraídas variáveis clínicas, laboratoriais e morfológicas dos ciclos de estimulação ovariana, fertilização e cultivo embrionário até o estágio de blastocisto (dia 5 -D5 e dia 6 - D6 de desenvolvimento) de prontuários de 46 pacientes submetidas a FIV . A amostra apresentou idade materna média de 38,21 ± 3,43 anos, com 58% das pacientes acima de 38 anos, refletindo o adiamento da maternidade, conforme descrito na literatura. Foram obtidos 580 ovócitos maduros, 473 fertilizados (taxa de fecundação = 81,6%) e 229 blastocistos (taxa de blastulação = 48,4%), a maioria classificada com grau morfológico intermediário (grau B) tanto para massa celular interna quanto para trofoblasto. Entre os ciclos com transferência, 58,33% dos exames de βHCG foram positivos e 80% das gestações confirmadas evoluíram para nascimento a termo. O número de ovócitos maduros e fertilizados manteve-se estável entre as faixas etárias, mas o número de blastocistos formados declinou com o avanço da idade materna, com correlação negativa e significativa entre idade materna e número de blastocistos (r = -0,29; p = 0,046), não observada para a idade paterna. A partir dos 38 anos, a proporção de blastocistos aneuploides foi mais elevada do que a de euploides, reforçando a associação entre idade materna avançada e instabilidade cromossômica embrionária. Os resultados indicam que a idade materna avançada comprometeu primariamente a competência dos embriões para atingir o estágio de blastocisto e sua integridade cromossômica, e não a quantidade de ovócitos coletados ou fecundados, corroborando a literatura sobre o declínio qualitativo da reserva ovariana. O estudo reforça o caráter multifatorial dos desfechos gestacionais e a necessidade de integrar maior número de variáveis para a construção de modelos preditivos mais robustos e clinicamente aplicáveis na medicina reprodutiva. |