Avaliação dos mecanismos celulares de ativação inflamatória induzida pelo SARS-CoV-2 e pela proteína Spike isolada
Author:
Ribeiro, Amanda Funguetto
Abstract:
O SARS-CoV-2 é o patógeno responsável pela maior crise sanitária da história recente, com ampla e rápida disseminação pelo mundo todo. Ressalta-se como um aspecto relevante da infecção pelo SARS-CoV-2 o acometimento do tecido nervoso, cujas manifestações variam entre anosmia, convulsões, distúrbios cognitivos e coma. Um dos mecanismos sugeridos acerca da neuropatogênese associada ao SARS-CoV-2 é a exacerbação da atividade de células da glia, promovendo a instauração de um ambiente pró-inflamatório e neurotóxico. Neste contexto, a glicoproteína viral S tem sido proposta como um dos fatores virais centrais no processo neuroinflamatório. Embora o corpo de estudos acerca do tropismo, virulência e patogênese do SARS-CoV-2 venha crescendo, esses tópicos permanecem até o momento apenas parcialmente elucidados. Este presente trabalho teve como objetivo investigar in vitro os mecanismos celulares envolvidos nos processos de ativação e potencial modulação da atividade de células microgliais estimulada pela ação da glicoproteína S do SARS-CoV-2 e comparar quando a infecção se dá com o vírus íntegro. A abordagem experimental realizou o uso da célula BV-2, uma linhagem celular de micróglia murina, sob o estímulo direto da glicoproteína S recombinante e a infecção do vírus do SARS-CoV-2. Foram realizados ensaios para avaliação da ativação, reatividade celular e expressão de componentes envolvidos com vias inflamatórias testando em concentrações experimentais diferentes de estimulação e infecção. Foi demonstrado resultados com pouca diferença estatística e variações entre os grupos experimentais. Assim, é necessário que mais estudos acerca do assunto dos processos inflamatórios desencadeados em células microgliais infectadas com o vírus do SARS-CoV-2 e da glicoproteína Spike sejam realizados futuramente, podendo direcionar mais esforços ao entendimento da ação viral sobre a reatividade de micróglia podendo indicar novas oportunidades de bloqueio específico de fatores virais ou celulares indutores de lesão neuronal, contribuindo assim para o delineamento de estratégias terapêuticas e políticas de saúde pública efetivas na reabilitação, tratamento e prevenção dos distúrbios neurológicos desencadeados pela COVID-19