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Abstract:
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As feridas crônicas representam um grave desafio para o sistema de saúde devido à
sua origem multifatorial e ao risco de infecção por patógenos, o que prolonga a
internação hospitalar e eleva os custos para o sistema de saúde. A Terapia
Fotodinâmica Antimicrobiana (TFDa) é uma estratégia não invasiva e altamente
promissora para tratamento de feridas crônicas tendo em vista sua eficácia, baixa
invasividade e risco de desenvolvimento de resistência. A TFDa se fundamenta na
irradiação de um corante atóxico em um comprimento de onda adequado para gerar
espécies reativas de oxigênio citotóxicas. O objetivo deste trabalho foi avaliar a
atividade de 3 fotossensibilizadores (FS) nas suas formas livre e incorporados em
nanoformulações utilizando TFDa contra biofilmes de isolados clínicos de Candida
albicans, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Como FS, utilizaram-se Eritrosina
(ERI), Rosa Bengala (RB) e Curcumina (CUR) em diferentes concentrações (5 - 25 - 50
μM para bactérias; para fungos: 25 - 50 - 100 μM para CUR e 0,02 - 0,2 - 2 - 20 μM
para RB) nas formas livres (L) e associadas a nanopartículas de prata (AgNPs). Para
CUR aplicou-se luz LED azul (76,1 J/cm2), e para ERI e RB luz LED verde (31,32
J/cm2), e também foram realizados os respectivos controles na ausência de luz. A
viabilidade bacteriana foi quantificada com cloreto de 2,3,5-trifeniltetrazólio (TTC) e
cristal violeta. Os resultados foram submetidos à estatística com ANOVA e teste T, e a
eficácia da TFDa variou conforme o microrganismo, a concentração do FS e o uso de
AgNPs. Para S. aureus, o tratamento mostrou-se dose-dependente, e o
nanoencapsulamento em AgNPs potencializou a ação da CUR (75% de redução com
50 µM) e da RB (57% de redução com 50 µM), enquanto a ERI foi ineficaz. Ajustes
metodológicos (troca do revelador TTC por Cristal Violeta) foram necessários para
evitar interferências de leitura causadas pela parede rica em peptidoglicano. Em
contrapartida, com E. coli, os melhores resultados ocorreram na forma L e em maiores
concentrações, destacando-se a ERI 50 µM L com a maior taxa de redução de
viabilidade (81%), seguida pela CUR 50 µM L (74%). A presença da membrana externa
complexa rica em lipopolissacarídeos parece ter limitado o impacto positivo das AgNPs
para a CUR e a RB neste modelo. Por fim, C. albicans apresentou as respostas menos
expressivas, o que pode ser reflexo da sua maior complexidade celular e defesas
contra espécies reativas de oxigênio. As variações observadas para CUR e RB não
demonstraram dependência direta de concentração ou benefício claro do uso de
AgNPs. Integrando os achados, a incorporação de AgNPs revelou-se uma excelente
estratégia para Gram-positivas, ao passo que alvos Gram-negativos e fúngicos
demandam a otimização de parâmetros como dose de luz, múltiplos ciclos de
irradiação e novas abordagens de formulação para potencializar a terapia. |