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Abstract:
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Neste resumo, proponho-me a apresentar os resultados obtidos durante minha pesquisa, no ciclo 2025/2026 do Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC), sobre a poeta Laura da Fonseca e Silva Brandão (1891-1942). O projeto propõe o estudo e a digitação da obra da autora, assim como acesso aos seus arquivos visando novas perspectivas críticas sobre esse material pouquíssimo estudado, bem como à formulação de um nexo entre as obras e o espaço no qual ela escrevia. A partir da leitura e do fichamento de tais arquivos, assim como de bibliografia específica, foi realizada uma análise cujos resultados serão descritos em um artigo a ser publicado.
Laura Brandão foi uma poeta, professora, preceptora e radialista carioca. Parece haver um consenso entre suas estudiosas de que sua obra sofreu um apagamento na contemporaneidade — um forte contraste com a recepção da publicação de seus livros e suas menções frequentes na imprensa do começo do século XX. Portanto, por meio da compilação de documentos encontrados na Hemeroteca Digital, além do estudo de suas biografias e livros de poesia, busquei refletir sobre sua invisibilidade hodierna e sobre o campo literário no qual a poetisa estava inserida, duas discussões que, a meu ver, cruzam-se e dialogam com a questão do cânone.
Minha hipótese é a de que o obscurantismo em torno da poeta ocorra em decorrência das pertinências implicadas por seu fazer poético, as quais são antitéticas aos elementos valorizados pelo cânone — por sua vez, teorizados nos textos Canon (1992), de Roberto Reis, e A Questão do Cânone (1995), de Zahidé Muzart. Bellini (2009), em análise da poética de Maria Stella Quirino Marchini (contemporânea de Laura), estabelece uma relação da “vertente de poesia de idéias à autoria feminina do período. [Que seria] sem dúvida, outra forma de adequar-se aos modelos de feminilidade da época: não apenas fugir ao pessoal, tão temido pelas mulheres escritoras, mas também demonstrar espiritualidade e moralismo” (Bellini, 2009, p. 936). Penso que é justamente devido a esse mesmo itinerário temático que Laura — e tantas outras poetas — foram invisibilizadas. Seus versos, carregados de idílios, moralismos e de um vocabulário rico em menções à fauna e à flora, refletem aquilo que as mulheres poderiam, na busca pela consagração social, escrever, mas que, por sua vez, não foi valorizado pelo cânone, mais apegado, como apontado por Reis (1992), a questões nacionalistas e que dissessem respeito à gestão pública. |