|
Abstract:
|
A COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, é uma doença infecciosa que pode desencadear desde quadros leves até manifestações graves, frequentemente associadas a uma resposta inflamatória exacerbada no trato respiratório. Em casos severos, observa-se uma desregulação da imunidade inata, com produção excessiva de citocinas pró-inflamatórias, contribuindo para o comprometimento da função pulmonar. Entre os principais mecanismos envolvidos, destacam-se os inflamassomas, complexos multiproteicos citosólicos que atuam como sensores de infecção e estresse celular. A ativação de inflamassomas, como o de NLRP3, leva à ativação da caspase-1, promovendo a clivagem e secreção de citocinas inflamatórias como IL-1β e IL-18, além de induzir piroptose, uma forma inflamatória de morte celular, por meio da clivagem da Gasdermina-D. Em conjunto, a sinalização por interferons do tipo I constitui uma das principais vias antivirais, sendo ativada após o reconhecimento de padrões moleculares virais por receptores como TLRs e sensores citosólicos. Essa via induz a expressão de genes estimulados por interferon, que atuam na contenção da replicação viral. O objetivo deste estudo é analisar como a infecção de SARS-CoV-2 modula genes do inflamassoma e a resposta antiviral em diferentes populações celulares. Foram analisados dados do dataset GSE175996, obtidos do Gene Expression Omnibus, contendo perfis transcriptômicos de pulmões de camundongos C57BL/6J e transgênicos K18-hACE2 infectados intranasalmente com SARS-CoV-2. Os animais foram eutanasiados quatro dias após a infecção, e os tecidos pulmonares foram processados para gerar suspensões de células únicas para sequenciamento de RNA de célula-única e extração para sequenciamento de RNA total. A análise de expressão diferencial foi realizada na plataforma NetworkAnalyst utilizando o método DESeq2, para o RNA-seq, e na plataforma R utilizando o pacote Seurat, para o scRNA-seq. Os camundongos K18-hACE2 apresentaram maior expressão gênica de citocinas inflamatórias, quimiocinas, receptores de reconhecimento de padrão e fatores de transcrição de mediadores inflamatórios. Genes associados às proteínas da via do inflamassoma também estavam mais expressos, incluindo genes de proteínas sensoras e Gsdmd. A via de sinalização e resposta ao IFN-I demonstrou maior expressão quanto aos seus genes. O resultado da análise de scRNA–seq apresentou aumento na população de células da imunidade inata, especialmente macrófagos. Esses macrófagos tiveram maior expressão de genes associados aos inflamassomas, como Nlrp3, Pycard e il1b. A infecção por SARS-CoV-2 em camundongos K18-hACE2 promove uma resposta imune exacerbada, com aumento da expressão de citocinas inflamatórias e de genes associados à ativação dos inflamassomas, além da intensificação da sinalização por IFN-I. O aumento relativo do cluster de macrófagos, aliado à alta expressão de genes como Nlrp3 e Pycard, indica seu papel central na amplificação da inflamação. |