| Title: | Gestão farmacopornográfica da inadequação neoliberal: da adicção e digitalização às políticas disfóricas |
| Author: | Morais, Pedro Ricardo Souza |
| Abstract: |
Esta dissertação investiga os mecanismos farmacopornográficos pelos quais o capitalismo neoliberal produz, captura e gerencia a subjetividade contemporânea, explorando os limites de sua elasticidade diante das crises estruturais do presente. O objetivo central é analisar como o sistema, em sua fase farmacopornográfica e digital, opera uma deformação sistemática da experiência sensível ? articulando a medicalização do sofrimento estrutural, a expropriação do tempo e a gestão somatopolítica do desejo ? com o intuito de adiar seu colapso iminente e interditar a emergência de horizontes coletivos. Metodologicamente, a pesquisa estabelece um diálogo transdisciplinar que ancora a análise teórica crítica de autores como Paul B. Preciado, Deleuze, Guattari e Nancy Fraser na investigação de fenômenos psicossociais emergentes. O trabalho esquadrinha as dinâmicas de controle pós-disciplinar, centrando-se na exploração da potentia gaudendi enquanto matéria-prima e fonte de energia barata para o capital. Nesse cenário, investigam-se práticas como o gooning e o doomscrolling não como meros desvios comportamentais, mas como figuras-modelo da arquitetura digital e do design persuasivo, que convertem o corpo em um terminal masturbatório e adicto, sequestrado em ciclos ininterruptos de excitação e frustração. A investigação avança sobre a análise das estruturas de captura para demonstrar como a organização neoliberal do desejo individualiza o mal estar e neutraliza a revolta através de dispositivos farmacológicos e algorítmicos. Diante do esgotamento desse modelo, o trabalho propõe o conceito de disforia não como uma patologia clínica a ser silenciada pelo DSM, mas como uma condição política e uma brecha epistemológica fundamental. A análise sugere que a emancipação reside na capacidade de reconhecer o mal estar disfórico como uma brecha epistemológica, deslocando a somateca da condição de arquivo passivo para a de um corpo vivo situado na falha entre regimes. O reconhecimento das ruínas do regime petrossexorracial apresenta-se, portanto, como o ponto de partida para a desnaturalização das tecnologias de captura e para o tensionamento das ficções políticas que sustentam a gestão neoliberal da subjetividade. Abstract: This dissertation investigates the pharmacopornographic mechanisms through which neoliberal capitalism produces, captures, and manages contemporary subjectivity, exploring the limits of its elasticity in the face of current structural crises. The central objective is to analyze how the system, in its pharmacopornographic and digital phase, operates a systematic distortion of sensory experience?articulating the medicalization of structural suffering, the expropriation of time, and the somatopolitical management of desire?to postpone its imminent collapse and block the emergence of collective horizons. Methodologically, the research establishes a transdisciplinary dialogue anchoring the critical theoretical analysis of authors such as Paul B. Preciado, Deleuze, Guattari, and Nancy Fraser in the investigation of emerging psychosocial phenomena. The study examines post-disciplinary control dynamics, focusing on the exploitation of potentia gaudendi as raw material and a source of cheap energy for capital. In this context, practices like gooning and doomscrolling are investigated not as mere behavioral deviances, but as model figures of digital architecture and persuasive design, which convert the body into a masturbatory and addicted terminal, hijacked in uninterrupted cycles of excitement and frustration. The investigation advances into the analysis of capture structures to demonstrate how the neoliberal organization of desire individualizes discontent and neutralizes revolt through pharmacological and algorithmic devices. Facing the exhaustion of this model, the work proposes the concept of dysphoria not as a clinical pathology to be silenced by the DSM, but as a political condition and a fundamental epistemological gap. The analysis suggests that emancipation lies in the ability to recognize dysphoric discontent as an epistemological gap, shifting the somateca from the condition of a passive archive to that of a living body situated in the failure between regimes. Recognizing the ruins of the petrosexorrace regime presents itself, therefore, as the necessary starting point for the denaturalization of capture technologies and for the tensioning of the political fictions that sustain the neoliberal management of subjectivity. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275811 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
|---|---|---|---|
| PFIL0541-D.pdf | 1.394Mb |
View/ |