Influência dos modos de operação de ventilação e climatização e das estações climáticas no conforto térmico adaptativo de usuários de edifícios de escritórios localizados em clima subtropical
Influência dos modos de operação de ventilação e climatização e das estações climáticas no conforto térmico adaptativo de usuários de edifícios de escritórios localizados em clima subtropical
Influência dos modos de operação de ventilação e climatização e das estações climáticas no conforto térmico adaptativo de usuários de edifícios de escritórios localizados em clima subtropical
Author:
Souza, Isabelle Melo de
Abstract:
O conforto térmico em edifícios de escritórios é determinante para a saúde, produtividade e bem-estar dos usuários. Em regiões de clima subtropical, caracterizadas por variações sazonais marcantes, a compreensão das dinâmicas de adaptação térmica torna-se fundamental para o projeto de edificações sustentáveis. Esta pesquisa investigou a influência dos modos de operação de ventilação e climatização (natural, artificial e híbrida) e das variações sazonais no conforto térmico adaptativo de ocupantes de escritórios localizados em clima subtropical úmido.
O estudo utilizou dados secundários do banco de dados internacional 'ASHRAE Global Thermal Comfort Database II' (versão 2.1), abrangendo registros entre 1982 e 2021. A amostra foi filtrada para focar em edifícios de escritórios em climas subtropicais (Cfa/Cfb), totalizando 11.441 registros, com análise aprofundada de quatro países representativos: Brasil, Austrália, Estados Unidos e Índia. A avaliação contemplou parâmetros ambientais (temperatura do ar, radiante média, umidade relativa e velocidade do ar) e respostas subjetivas (sensação, preferência, aceitabilidade e conforto térmico), além de variáveis comportamentais como o nível de isolamento térmico do vestuário (índice clo). Os dados foram processados estatisticamente e confrontados com os limites de 80 por cento de aceitabilidade da norma ASHRAE 55.
Os resultados demonstraram que a neutralidade térmica foi a condição predominante em todos os modos de operação e estações (cerca de 50 por cento dos votos). Contudo, o uso contínuo de climatização artificial induz a uma 'rigidez adaptativa', com faixas de conforto mais estreitas e reduzida variação no vestuário devido a códigos formais de vestimenta. Em contrapartida, a ventilação natural e o modo misto proporcionam maior flexibilidade, permitindo a aceitação de temperaturas operativas mais elevadas durante o verão por meio de ajustes ativos nas roupas e maior tolerância ao movimento do ar. Brasil e Austrália apresentaram elevada concordância com o modelo adaptativo da ASHRAE 55, enquanto ocupantes na Índia demonstraram níveis de aclimatação e tolerância ao calor superiores aos previstos pela norma. A preferência pelo movimento do ar revelou-se um fator regulador essencial: usuários brasileiros buscam a ventilação por 'frescor' mesmo em neutralidade, enquanto australianos a utilizam como resfriamento ativo no calor.
Conclui-se que a alternância do modo operacional impacta diretamente os mecanismos de adaptação humana e a percepção do ambiente. A adoção preferencial de estratégias de modo misto em edifícios corporativos subtropicais representa o caminho mais equilibrado para conciliar a satisfação dos usuários com a eficiência energética, pois favorece a autonomia do indivíduo e reduz a dependência de sistemas mecânicos intensivos. Não houve necessidade de adaptações significativas no plano de atividades original, sendo o foco mantido na representatividade das amostras internacionais.