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Abstract:
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Introdução: Com o envelhecimento populacional vem notando-se um aumento das doenças crônicas não transmissíveis, a exemplo do diabetes mellitus. O diabetes mellitus (DM) configura-se como um problema de saúde pública em ascensão e, uma vez mal controlado, favorece o desenvolvimento de complicações altamente incapacitantes, como as alterações nos pés. Além dos aspectos clínicos, o cuidado integral à pessoa idosa com DM deve contemplar também a adesão às atividades de autocuidado no cotidiano e as dimensões emocionais e subjetivas relacionadas ao bem-estar, aspectos ainda pouco investigados em conjunto com a avaliação clínica dos pés. Objetivos: Avaliar e descrever as principais alterações nos pés dos idosos com Diabetes, classificar o risco de ulceração do pé, identificar a adesão às atividades de autocuidado com o diabetes e avaliar os níveis de felicidade subjetiva dessa população. Método: Trata-se de um estudo descritivo com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada no Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago (HU/UFSC). Os dados foram coletados junto aos idosos que eram encaminhados às consultas de enfermagem do ambulatório especializado (área B). A coleta de dados ocorreu através da aplicação da ficha de avaliação dos pés contendo perguntas fechadas sobre dados sociodemográficos e clínicos do paciente e por questões específicas sobre avaliação dos pés e testes de sensibilidade, seguida da aplicação do Questionário de Atividades de Autocuidado com o Diabetes (QAD) e da Escala de Felicidade Subjetiva, instrumentos validados para avaliação, respectivamente, da adesão às práticas de autocuidado e da percepção subjetiva de bem-estar. Os dados obtidos serão organizados em planilha e submetidos à estatística descritiva simples, com cálculo de números relativos e absolutos. Resultados: Foram avaliados 12 idosos com DM, sendo 83,3% mulheres, com predomínio de baixa escolaridade (75% com Ensino Fundamental incompleto) e procedentes majoritariamente de municípios fora de Florianópolis. Quanto à avaliação dos pés, 58,4% dos participantes foram classificados nas categorias de maior risco de ulceração (Risco 1 e Risco 3), sendo que 16,7% já possuíam histórico positivo de úlcera. Constatou-se ainda que metade da amostra (50%) nunca havia tido os pés examinados por um profissional de saúde e que a maioria (75%) nunca havia recebido orientações sobre esse cuidado. Em relação ao autocuidado com o diabetes, observou-se maior adesão na dimensão uso da medicação e menor adesão nas dimensões atividade física e alimentação específica. Já a Escala de Felicidade Subjetiva revelou escore médio de 5,42 (DP = 1,04), indicando níveis satisfatórios de bem-estar subjetivo, associados ao relato unânime de apoio familiar ou de amigos. Conclusão: Os achados evidenciam uma lacuna assistencial relevante na avaliação e no cuidado com os pés de idosos com DM, com origem sobretudo na Atenção Primária à Saúde, reforçando a necessidade de incorporação rotineira de instrumentos simples e replicáveis de rastreio nesse nível de atenção. Evidenciou-se também um padrão desigual de adesão às práticas de autocuidado, com maior fragilidade nos hábitos relacionados à atividade física e à alimentação. Por fim, os níveis satisfatórios de felicidade subjetiva, associados à presença de rede de apoio, reforçam a importância de que o cuidado de enfermagem à pessoa idosa com DM incorpore, além dos aspectos clínicos, uma escuta atenta às dimensões emocionais e subjetivas, caminhando em direção a um cuidado mais integral. |