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Abstract:
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A doença celíaca (DC) é uma condição crônica, imunomediada e sistêmica, desencadeada pela ingestão de glúten e prolaminas relacionadas em indivíduos geneticamente suscetíveis. Nesses indivíduos, a ingestão de glúten provoca dano às vilosidades intestinais, comprometendo a adequada absorção de nutrientes. O único tratamento disponível para a DC é a dieta sem glúten (DSG) rigorosa e vitalícia. Entretanto, estudos apontam para a baixa qualidade nutricional dos produtos sem glúten e da DSG como um todo, o que pode predispor a deficiências nutricionais, ganho de peso excessivo e desenvolvimento de doenças metabólicas. Diante desse contexto, o presente estudo, de delineamento longitudinal e prospectivo, teve como objetivo avaliar a ingestão alimentar e o estado nutricional de indivíduos com DC no momento do diagnóstico (T0) e após 3 meses de acompanhamento (T1). Em ambos os momentos, foram coletados registros alimentares de três dias para avaliação da ingestão alimentar, além de dados antropométricos (peso, altura e circunferência da cintura). Em T1, a adesão à DSG foi avaliada por meio de instrumento validado (CDAT-Br). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC (protocolo nº 7.762.019). Foram convidados a participar indivíduos adultos recém-diagnosticados (<30 dias) com DC, de ambos os sexos. Cinco participantes foram incluídos e permanecem no estudo, dos quais dois já completaram os 3 meses de acompanhamento. Em T0, verificou-se padrão predominante de inadequação nutricional, com consumo insuficiente de energia total (80%), carboidratos (100%), ácidos graxos monoinsaturados (100%), fibras (60%), gorduras totais (40%) e da maior parte das vitaminas e minerais. Na reavaliação em T1, observou-se evolução positiva na adequação nutricional geral, com 100% de adequação na ingestão de proteínas, gorduras totais e fibras, além de melhora nos padrões de consumo de energia, carboidratos, vitaminas e minerais; o consumo de ácidos graxos monoinsaturados, no entanto, permaneceu insuficiente em todos os participantes avaliados. Quanto à avaliação antropométrica, entre T0 e T1 os participantes apresentaram ganho de peso e aumento do IMC. A participante do sexo feminino manteve classificação de sobrepeso, a presença de risco de doenças metabólicas e passou de um risco cardiovascular muito elevado para risco elevado. O participante do sexo masculino manteve classificação de eutrofia e parâmetros normais em ambos os momentos. Diante do exposto, conclui-se que a DSG demonstrou impacto positivo sobre a adequação da ingestão alimentar em T1 em comparação ao diagnóstico (T0). Entretanto, considerando o ganho de peso relevante apresentado pelos participantes, o acompanhamento nutricional contínuo desses indivíduos é necessário, dado o aumento do risco cardiometabólico observado. |