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Abstract:
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As lesões de difícil cicatrização associadas a doenças crônicas não transmissíveis, como Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Sistêmica, configuram um expressivo agravo de saúde pública, provocando dor persistente, restrição de autonomia e elevados custos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A efetividade terapêutica depende não apenas de intervenções tópicas avançadas, mas fundamentalmente da adesão e do comparecimento regular do paciente aos serviços de saúde. Este estudo teve como objetivo avaliar os determinantes da intenção e do comportamento de realizar curativos em pessoas com lesões de difícil cicatrização, fundamentando-se na Teoria do Comportamento Planejado (TCP) de Icek Ajzen (que integra Atitude, Norma Subjetiva e Controle Comportamental Percebido). Trata-se de um estudo metodológico, descritivo e quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE nº 85586024.4.0000.0121). A coleta foi realizada em unidades básicas de saúde, unidades ambulatoriais e de internação de um hospital universitário, totalizando 95 participantes. Foram aplicados instrumentos estruturados para aferição das variáveis de interesse, sendo os dados analisados por meio de estatística descritiva, teste de associações e psicométrico de confiabilidade. Na caracterização clínica, 74% (n = 70) dos participantes apresentavam comorbidades, destacando-se Diabetes Mellitus (74%; n = 70) e Hipertensão Arterial (68%; n = 65). A confiabilidade do instrumento apresentou Alfa de Cronbach de 0,60, considerado aceitável. Na dimensão Atitude, 87% (n = 83) avaliaram a realização do curativo como altamente benéfica. Na Norma Subjetiva, 91% (n = 86) afirmaram que a opinião e o incentivo familiar são determinantes para a continuidade do tratamento. No Controle Comportamental Percebido, destacaram-se como facilitadores a disponibilidade de automóvel próprio (92%; n = 87) e carona (91%; n = 86), enquanto as principais barreiras identificadas foram limitações físicas de locomoção (90%; n = 85) e condições climáticas desfavoráveis/chuva (68%, n = 65). Verificou-se correlação positiva estatisticamente significativa entre a norma subjetiva e a intenção comportamental (r = 0,28; p = 0,005). Conclui-se que a adesão ao cuidado ultrapassa a dimensão biológica e técnica do curativo, sendo fortemente condicionada pelo suporte familiar e pelas condições de acesso geográfico e transporte. A Teoria do Comportamento Planejado mostrou-se um referencial robusto e sensível para subsidiar intervenções de enfermagem centradas na pessoa e na família, orientando estratégias no SUS voltadas à superação de barreiras de acesso e qualificação dos desfechos clínicos. |