AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO FÍSICO-QUÍMICO E MONITORAMENTO DA EMISSÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO EM WETLANDS CONSTRUÍDOS
Author:
Fernandes, Marina
Abstract:
O saneamento básico no Brasil ainda apresenta deficiências significativas na coleta e tratamento de esgoto, evidenciando a necessidade de soluções descentralizadas. Nesse contexto, os wetlands construídos (WC) destacam-se como ecotecnologias sustentáveis e de baixo custo, mas cujos processos biológicos de depuração estão atrelados à emissão de gases de efeito estufa. O presente estudo teve como objetivo avaliar o desempenho de wetlands construídos em operação há onze anos no tratamento de esgoto sanitário, analisando parâmetros físico-químicos e a emissão de dióxido de carbono CO2. O monitoramento ocorreu na Estação Experimental de Tratamento de Esgoto Sanitário da Universidade Federal de Santa Catarina entre setembro de 2025 e julho de 2026. Foram realizadas análises de pH, alcalinidade, demanda química de oxigênio, nitrogênio total, nitrogênio nas formas de nitrato e amoniacal e fósforo ortofosfato. As análises foram realizadas mensalmente no afluente e efluentes de arranjos verticais de fundo saturado (WCV-FS) e em um sistema híbrido (WCV-FS seguido de wetland construído horizontal - WCH). A quantificação de CO2 foi executada no módulo WCH utilizando câmara estática e analisador portátil de biogás. Os sistemas apresentaram eficiência na remoção de matéria orgânica, com reduções de Demanda Química de Oxigênio (DQO) superiores a 83%, além de promoverem a nitrificação nos WCV-FS e a desnitrificação parcial no WCH. Contudo, a comparação com a série histórica apontou queda na eficiência de remoção de parâmetros, como nitrogênio total no WCH e ortofosfato no WCV-FS2, o que indica a necessidade de rigor na manutenção continuada para evitar a colmatação após longos períodos de operação. O monitoramento de gases revelou um ciclo de carbono dinâmico no WCH, com picos de emissão positiva de até 2,07 g m⁻²h⁻¹ decorrentes da respiração heterotrófica, além de um fluxo negativo expressivo de -1,16 g m⁻²h⁻¹. Esses dados comprovam que, sob picos de atividade vegetativa da macrófita Typha domingensis, o sistema pode atuar temporariamente como sumidouro de carbono. Os resultados ratificam a eficiência da ecotecnologia, mas reforçam que a estabilidade do tratamento e o balanço de emissões dependem de um rigoroso protocolo de manutenção ao longo do tempo.