Estratégias funcionais e reprodutivas das espécies arbóreas em florestas em regeneração na Amazônia

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Estratégias funcionais e reprodutivas das espécies arbóreas em florestas em regeneração na Amazônia

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Title: Estratégias funcionais e reprodutivas das espécies arbóreas em florestas em regeneração na Amazônia
Author: D'Oliveira, Nicoly Schelbauer
Abstract: Este trabalho investigou como as estratégias reprodutivas das espécies arbóreas de início de sucessão variam com as condições climáticas e de histórico de uso da terra na Amazônia. Para isso, analisamos os atributos funcionais como as características de frutos e sementes, discutindo como esses fatores influenciam a conservação. A pesquisa teve como base um inventário florístico realizado pelo projeto principal a que está iniciação científica está vinculada, na Amazônia Central nos municípios de Tefé e Tapajós, cobrindo 58 parcelas em estágio inicial de recuperação cerca de aproximadamente 5 anos de idade e sujeitas a diferentes níveis de uso prévio do solo. Das espécies registradas, selecionamos as 509 mais abundantes e realizamos a busca bibliográfica em bases como Google Scholar, Web of Science, Seed Information Database, Flora e Funga do Brasil, além de livros e manuais técnicos. O foco esteve em reunir informações sobre o peso seco, tamanho de sementes e frutos, cor de frutos, síndrome de dispersão e seu grupo dispersor. Os resultados nesta pesquisa foram que há informação na literatura sobre a dispersão de 443 espécies das 509. Constatou-se uma forte dominância da zoocória nas florestas em recuperação: 90% das espécies dependem de animais para espalhar suas sementes, sendo 77% dispersas especificamente por aves e mamíferos. As espécies que dependem do vento (anemocoria) ou da gravidade (barocoria) somaram apenas 10%, indicando que esse grupo predomina em outros tipos de paisagens e florestas. Essa predominância da zoocória se manteve alta tanto em Tefé quanto em Tapajós. No entanto, em Tefé que é a região mais úmida, há maior proporção de indivíduos dispersos por animais (80% em média) quando comparada a Tapajós (71%). Além disso, a presença de árvores dispersas por animais tendeu a aumentar quanto maior era o nível de degradação da área. Em relação a coloração dos frutos, as cores vivas e chamativas mostraram-se associadas às espécies zoocóricas, funcionando como um atrativo para a fauna. Já frutos com tons neutros, como verde e marrom, que se camuflam entre folhas e troncos, estão mais ligados à dispersão anemocórica e barocórica (vento e gravidade). Quanto ao tamanho dos frutos, o comprimento médio é de 5,5 cm e diâmetro médio de 2,64 cm, enquanto as sementes registraram médias de 1,52 cm de comprimento, 1,08 cm de diâmetro e peso seco de 1,81 g. O levantamento também revelou uma lacuna preocupante na literatura científica: faltam informações básicas sobre o peso seco de 308 espécies estudadas, além da ausência de dados sobre o tamanho de frutos e sementes para cerca de 80 a 120 espécies. Portanto, os dados mostram que a recuperação das florestas tropicais depende diretamente de manter as interações entre a fauna e a flora. Apresentamos uma lista de espécies atrativas de fauna especialista que pode ser usada na seleção de espécies em plantios a fim de acelerar a restauração das funções do ecossistema. Por fim, o estudo reforça a necessidade urgente de mais pesquisas e incentivos financeiros para preencher a falta de dados funcionais sobre as árvores amazônicas, conhecimento essencial para embasar políticas públicas de restauração florestal.
Description: Sustentabilidade, saúde e qualidade de vida
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275621
Date: 2026-09-09


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