Farmacogenética da sinvastatina: triagem populacional da variante SLCO1B1 c.521T>C em catarinenses
Author:
Knapp, Gabriéli Luiza Steffens
Abstract:
As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de mortalidade no Brasil e no mundo. Um dos principais fatores de risco para o acometimento dessas doenças é a hipercolesterolemia, distúrbio metabólico que afeta cerca de 10 a 20% da população brasileira. A sinvastatina é um dos principais medicamentos utilizados para o tratamento dessa alteração metabólica: o fármaco reduz o LDL-c ao inibir a HMG-CoA redutase. Contudo, seu uso está associado ao risco de efeitos adversos doenças causados pelo uso de estatinas, como miopatia e rabdomiólise. Esse risco está associado com a variante SLCO1B1 c.521T>C, que reduz a capacidade de captação hepática do transportador OATP1B1, podendo aumentar a exposição plasmática do fármaco. Diretrizes internacionais, como a CPIC e o DPWG, recomendam ajustes terapêuticos com base no genótipo do paciente. A frequência do polimorfismo varia de acordo com a população, podendo resultar em diferentes proporções de indivíduos geneticamente predispostos a alterações na resposta e à ocorrência de efeitos adversos durante a terapia. O objetivo do estudo é investigar a frequência da variante SLCO1B1 c.521T>C na população de Santa Catarina, visando avaliar seu potencial impacto na medicina de precisão no tratamento com estatinas no estado. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da UFSC sob o parecer n° 4.164.291. Foram analisados 399 doadores de sangue catarinenses, cujas amostras foram disponibilizadas pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC). O DNA genômico foi obtido pelo método modificado de extração salting-out e a genotipagem foi realizada por PCR em tempo real utilizando sondas de hidrólise TaqMan®. As frequências alélicas e genotípicas foram calculadas, e o equilíbrio de Hardy-Weinberg (EHW) foi testado. As análises estatísticas foram feitas nos softwares SPSS (v.25.0) e RStudio (v.2026.05). A amostra está em EHW (p = 0,469). O projeto inicial previa a análise de associação entre genótipo e ocorrência de efeitos adversos musculares nos indivíduos analisados, porém não pôde ser realizada devido a falta de dados clínicos. A frequência do alelo de risco rs4149056*C foi de 17,29%, com genótipos CC (3,51%) e CT (27,57%) indicando que cerca de 31,08% da amostra carrega ao menos um alelo variante. A comparação com o Projeto 1000 Genomas mostrou que há uma baixa diferenciação genética para este polimorfismo (FST ≈ 0,0003) entre a população catarinense e a europeia. A frequência observada do alelo C evidencia a presença de uma parcela relevante de indivíduos potencialmente suscetíveis aos efeitos farmacogenéticos associados à variante, reforçando o potencial da farmacogenética como estratégia para subsidiar a medicina de precisão no estado. Os resultados reforçam a relevância da triagem farmacogenética prévia como estratégia para reduzir efeitos adversos e subsidiar a medicina de precisão no estado.