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Abstract:
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A doença do refluxo gastroesofágico e bulimia são condições importantes que podem
comprometer a durabilidade clínica de materiais restauradores devido à ação
superficial e consequente redução do pH oral. Paralelamente, a evolução das resinas
de impressão 3D permitiu a ampliação das indicações clínicas e sua aplicação em
restaurações definitivas unitárias. Contudo, informações sobre o comportamento
desses materiais à exposição ao ácido gástrico e à redução de pH são ainda limitadas.
Assim, o presente estudo teve por objetivo avaliar o efeito do ácido gástrico simulado
sobre a superfície de uma resina de impressão 3D e a possível interação desse
material com soluções corantes. O tamanho da amostra foi definido com base em um
estudo piloto, totalizando 45 espécimes, os quais foram confeccionados pelo
fabricante, utilizando-se a resina de impressão 3D reforçada (Varseo Smile (Bego,
Alemanha), indicada para coroas e pontes. Após a limpeza ultrassônica, os espécimes
foram submetidos ao envelhecimento artificial em termocicladora (OMC 350 TS,
Odeme, Brasil) (5000 ciclos, 5 °C a 55 °C). A cor inicial, a rugosidade superficial e a
microdureza Vickers foram então mensuradas e utilizadas como referência inicial
(baseline). Em seguida, os espécimes foram distribuídos aleatoriamente em 2 grupos:
experimental, exposto ao ácido gástrico simulado (HCl, pH 1,2), e controle, imersos
em saliva artificial (n = 20 por grupo). A cor e a rugosidade superficial foram novamente
avaliadas após 96 e 168 horas, e a cor, a rugosidade e a microdureza foram
novamente mensuradas após 240 horas de imersão a 37°C. Finalizado o desafio
ácido, os espécimes foram imersos em 2 soluções corantes (café preto e vinho tinto)
sendo a água destilada utilizada como controle (n = 5 por solução). As soluções foram
renovadas diariamente, e as análises de cor e rugosidade foram feitas após 2,5 e 5
dias. De forma semelhante, a cor, rugosidade e microdureza foram reavaliadas após
7 dias. A avaliação colorimétrica foi realizada pelo método espectrofotométrico sendo
as diferenças cromáticas calculadas pela fórmula CIEDE 2000 (ΔE00). A rugosidade
superficial foi determinada por perfilometria (DektakXT Stylus, Bruker, EUA), e a
microdureza por microdurômetro Vickers (VH1102, Wilson Hardness, EUA). Os dados
foram analisados por ANOVA de medidas repetidas, seguida do teste post hoc de
Yukey (α = 0,05). Em acréscimo, os limiares de perceptibilidade (ΔE00 > 1,0) e
aceitabilidade clínica (ΔE00 < 3,3) foram adotados na interpretação dos resultados. A
exposição ao ácido gástrico simulado não promoveu alterações significativas na
rugosidade superficial (p=0,15), microdureza (p=0,33) ou na cor da resina (p=0,59) ao
longo do tempo. Após o desafio ácido, a imersão em soluções corantes resultou em
alterações de cor significativa e dependentes do tipo de solução. O café apresentou
maior influência em todos os períodos avaliados, sendo as variações frequentemente
acima do limiar de aceitabilidade clínica. Em contraste, a água destilada e o vinho tinto
produziram alterações cromáticas discretas, em geral dentro de limites clinicamente
aceitáveis. Esses resultados indicam que, embora o material apresente estabilidade
físico-mecânica frente à exposição ácida, sua estabilidade de cor pode ser
comprometida pela ingestão de bebidas com alto potencial corante, especialmente o
café. |