| Title: | Modos de uniformização: subjetividades e performatividade de gênero de atletas olímpicas brasileiras no Instagram durante os Jogos Olímpicos do Rio 2016 |
| Author: | Bozzetti, Julia de Ribeiro |
| Abstract: |
Este estudo teve como objetivo analisar as postagens no Instagram de atletas olímpicas brasileiras relacionadas aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, com ênfase na forma como os uniformes olímpicos e os acessórios pessoais foram mobilizados como meios de expressão de subjetividades. O referencial teórico ancorou-se nas contribuições de Michel Foucault, especialmente nos conceitos de poder disciplinar, governamentalidade e práticas de si (1995, 1996, 2004, 2010, 2012, 2013), bem como na teoria da performatividade de gênero de Judith Butler (2003, 2019), utilizada para compreender os modos pelos quais as atletas produziram apresentações generificadas de si em seus perfis do Instagram. A coleta de dados foi realizada nos perfis públicos do Instagram de atletas olímpicas brasileiras participantes dos Jogos Olímpicos de 2016 que possuíam registros relacionados à experiência olímpica de 2016. Por meio de capturas de tela realizadas com o auxílio da ferramenta Lightshot, foram coletados 2.593 registros imagéticos publicados no período compreendido entre três meses antes do início dos Jogos e o final do ano de 2016, de modo a contemplar diferentes momentos da experiência olímpica daquele ano. Os registros foram organizados em pastas digitais e importados para o software de análise qualitativa ATLAS.ti, no qual se desenvolveram os procedimentos analíticos. No ambiente do software, foram elaborados códigos e subcódigos de análise, agrupados em famílias de códigos e orientados pelos objetivos da pesquisa, centrados nos tipos de uniformes olímpicos, nos modos de uso desses uniformes e nos acessórios utilizados pelas atletas nas postagens. Durante o processo de codificação do corpus documental, não foram consideradas as imagens em que as atletas não apareciam vestindo uniformes olímpicos. Diante disso, o número total de registros codificados foi de 1.051. Após o processo de codificação, utilizou-se a ferramenta de ?análise de co-ocorrências de códigos?, que gerou dados quantitativos sobre a relação entre os códigos e assim subsidiaram a interpretação qualitativa dos dados imagéticos. A partir dos resultados das tabelas de co-ocorrência, os resultados e discussões da pesquisa foram organizados em quatro subcapítulos que analisaram como as atletas de diferentes modalidades se relacionaram com o uso dos diferentes conjuntos de uniformes olímpicos. Os resultados indicaram que os uniformes olímpicos enquadraram os corpos das atletas no Instagram, reforçando o pertencimento à delegação brasileira dos JO, organizando suas visibilidades impondo normas institucionais de visibilidade e aparência, ao mesmo tempo em que ofereceram margens de ação que possibilitaram pequenos ajustes e diferenciações entre as atletas. Observou-se a predominância de usos padronizados dos uniformes, evidenciando os processos de autovigilância e incorporação de normas institucionais, mesmo no ambiente digital. Os usos não padronizados dos uniformes manifestaram-se por meio de ajustes sutis e controlados, configurando negociações da aparência no interior dos limites normativos do esporte olímpico. As análises comparativas entre modalidades esportivas revelaram que diferentes lógicas históricas e regulatórias modularam os modos de uso dos uniformes e suas possibilidades de apropriação visual. No que se refere aos acessórios, verificou-se que, quando associados a repertórios de gênero, estes participaram exclusivamente da produção de feminilidades, reiterando normas vigentes no contexto olímpico. Ao compreender o Instagram como uma plataforma de mediação histórica e de curadoria da visibilidade, o estudo demonstra que as postagens analisadas constituem registros de um passado digital recente, no qual uniformes e acessórios atuaram como tecnologias de apresentação de si, por meio das quais as atletas olímpicas brasileiras produziram subjetividades historicamente situadas nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Abstract: This study aimed to analyse Instagram posts by Brazilian Olympic athletes related to the Rio de Janeiro 2016 Olympic Games, with an emphasis on how Olympic uniforms and personal accessories were mobilized as means of expressing subjectivities. The theoretical framework was grounded in the contributions of Michel Foucault, particularly the concepts of disciplinary power, governmentality, and practices of the self (1995, 1996, 2004, 2010, 2012, 2013), as well as in Judith Butler?s theory of gender performativity (2003, 2019), which was employed to understand the ways in which athletes produced gendered presentations of themselves on their Instagram profiles. Data collection was conducted using the public Instagram profiles of Brazilian Olympic athletes who participated in the 2016 Olympic Games and had posts related to their Olympic experience. Through screenshots taken with the Lightshot tool, 2,593 visual records were collected, published between three months prior to the start of the Games and the end of 2016, in order to encompass different moments of the Olympic experience that year. The records were organized into digital folders and imported into the qualitative analysis software ATLAS.ti, where the analytical procedures were carried out. Within the software environment, analytical codes and subcodes were developed and grouped into code families guided by the research objectives, focusing on types of Olympic uniforms, modes of uniform use, and the accessories worn by athletes in the posts. During the coding process, images in which athletes were not wearing Olympic uniforms were excluded, resulting in a final corpus of 1,051 coded records. Following the coding stage, a code cooccurrence analysis was conducted using the software?s analytical tools, generating quantitative data on the relationships between codes that supported the qualitative interpretation of the visual material. Based on the results of the co-occurrence tables, the Results and Discussion sections were organized into four subchapters analysing how athletes from different sport modalities related to the use of different sets of Olympic uniforms. The findings indicated that Olympic uniforms framed athletes? bodies on Instagram, reinforcing their belonging to the Brazilian Olympic delegation and organizing their visibility by imposing institutional norms of appearance and visual presentation, while simultaneously allowing limited margins of action that enabled small adjustments and differentiations among athletes. A predominance of standardized uniform use was observed, evidencing processes of self-surveillance and the internalization of institutional norms, even within the digital environment. Non-standardized uses of uniforms manifested through subtle and controlled adjustments, configuring negotiations of appearance within the normative boundaries of Olympic sport. Comparative analyses across sport modalities revealed that different historical and regulatory logics shaped the modes of uniform use and their possibilities of visual appropriation. With regard to accessories, it was observed that when associated with gendered repertoires, they participated exclusively in the production of femininities, reiterating norms prevailing in the Olympic context. By understanding Instagram as a platform of historical mediation and visibility curation, the study demonstrates that the analysed posts constitute records of a recent digital past in which uniforms and accessories functioned as technologies of self-presentation, through which Brazilian Olympic athletes produced historically situated subjectivities in the context of the Rio 2016 Olympic Games. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Desportos, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275375 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
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| PGEF0719-D.pdf | 2.065Mb |
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