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Abstract:
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A autopercepção em saúde é um dado subjetivo que refere-se à autoavaliação de um indivíduo sobre seu estado de saúde. Indivíduos com depressão, ansiedade e outros transtornos mentais apresentam maior frequência de autopercepção negativa da saúde, a qual se relaciona com pior qualidade de vida, maior utilização dos serviços de saúde e piores desfechos clínicos. O objetivo deste estudo foi analisar a autopercepção de saúde e os fatores associados entre usuários de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Trata-se de um estudo observacional transversal realizado com usuários do CAPS I de Araranguá, Santa Catarina, Brasil, entrevistados entre fevereiro de 2023 e fevereiro de 2024. Foram incluídos adultos (≥18 anos) em acompanhamento no serviço há pelo menos seis meses. A autopercepção de saúde foi obtida por meio de pergunta autorreferida e dicotomizada em positiva (boa/muito boa) e negativa (regular/ruim/muito ruim). As variáveis independentes incluíram sexo, faixa etária, escolaridade, agrupamento diagnóstico, tempo de tratamento no CAPS, prática de atividade física, consumo de álcool, tabagismo e polifarmácia. Realizaram-se análises descritiva e bivariada, seguidas de regressão de Poisson com variância robusta para estimar razões de prevalência (RP) ajustadas e respectivos intervalos de confiança de 95%. Dos 170 participantes, 168 apresentaram informações válidas sobre autopercepção de saúde. A prevalência de percepção negativa de saúde foi de 76,2%. A maioria dos participantes era do sexo feminino (71,2%), tinha até 49 anos (53,5%) e escolaridade de até oito anos (51,8%). Na análise bivariada, apenas o sexo apresentou associação estatisticamente significativa com a autopercepção de saúde (p=0,025). Após ajuste por sexo, faixa etária, escolaridade e tempo de tratamento, não foram observadas associações estatisticamente significativas entre agrupamento diagnóstico e percepção negativa de saúde. Participantes com transtorno bipolar ou esquizofrenia apresentaram menor prevalência de percepção negativa em comparação aos indivíduos com condições depressivas (RP=0,81; IC95%: 0,65–1,02), porém sem significância estatística (p=0,072). Observou-se elevada prevalência de autopercepção negativa de saúde entre usuários do CAPS, independentemente do agrupamento diagnóstico. Os achados sugerem que a percepção da própria saúde nessa população é influenciada por fatores que transcendem o diagnóstico psiquiátrico, reforçando a importância de estratégias de cuidado integral voltadas à promoção da saúde, funcionalidade, autonomia e participação social. |