Conhecimentos indígenas sobre plantas medicinais nos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia: uma revisão bibliográfica

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Conhecimentos indígenas sobre plantas medicinais nos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia: uma revisão bibliográfica

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Title: Conhecimentos indígenas sobre plantas medicinais nos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia: uma revisão bibliográfica
Author: Lopes, Jeferson Cassiano Freire
Abstract: O conhecimento que os povos indígenas carregam sobre plantas medicinais é muito mais do que uma simples lista de espécies e usos. É um patrimônio vivo, construído ao longo de gerações, que conecta cultura, saúde e natureza. Como indígena do povo Pankará, essa pesquisa partiu da minha própria vivência e da percepção de que, dentro da universidade, esse saber ancestral muitas vezes é tratado como um dado isolado, e não como um conhecimento vivo. O estudo analisou 12 artigos científicos que tratavam sobre conhecimentos indígenas associados às plantas medicinais, focando nos biomas Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga. Os dados foram extraídos e organizados em um banco de dados na plataforma Grist, com padronização da nomenclatura botânica realizada por meio do Flora e Funga do Brasil e do International Plant Names Index (IPNI). Ao todo, foram registradas 485 espécies utilizadas com fins medicinais, distribuídas em 112 famílias botânicas, com destaque para Fabaceae, Asteraceae e Rubiaceae. As espécies mais citadas foram o jenipapo e o ingá, com 6 citações cada, seguidas por capim-limão, pitanga, aroeira, goiaba, maracujá e urucum, com 4 citações cada. Essas plantas são usadas principalmente para tratar malária, problemas gastrointestinais, hipertensão e verminoses. Os artigos analisados abrangeram o conhecimento de 21 povos indígenas, com maior representação dos Guarani, seguidos pelos povos do Alto Rio Negro e Huni Kuĩ. A distribuição geográfica dos estudos mostrou concentração na Amazônia (41,7%), seguida pela Mata Atlântica (25,0%) e Caatinga (25,0%), com um artigo classificado em transição para o Cerrado. As principais ameaças identificadas à continuidade desses sistemas de saúde foram a perda de território, o enfraquecimento da transmissão de conhecimento entre gerações e a pressão da cultura dominante. Este trabalho me mostrou que a etnobotânica vai muito além de catalogar espécies. É uma forma de reconhecer a sabedoria de povos que, mesmo diante de tantas dificuldades, seguem cuidando da saúde e do território de formas que a ciência ainda tem muito a aprender. O banco de dados gerado pode subsidiar futuros estudos farmacológicos, apoiar políticas de conservação e fortalecer a proteção dos conhecimentos tradicionais, em sintonia com a Lei 13.123/2015 e os princípios da Convenção sobre Diversidade Biológica. Nenhuma adaptação significativa no plano de atividades foi necessária, mantendo-se a coerência metodológica ao longo da pesquisa.
Description: Promoção da igualdade, fortalecimento da democracia e governança
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275339
Date: 2026-09-02


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