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Abstract:
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Este estudo analisa as diretrizes que estendem a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) a adolescentes de 15 a 19 anos no Brasil, tal como codificadas no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de 2025. Mais do que avaliar o acerto ou o erro da medida, a pesquisa interroga as suas condições de possibilidade: descreve o modo pelo qual o protocolo torna o jovem inteligível e governável, constituindo-o, no gesto mesmo com que o protege, como sujeito sexualmente ativo, autônomo, compreendente e acompanhado. Trata-se de uma leitura de inspiração genealógica, que recusa tanto a celebração quanto a denúncia da política e que, na chave de Lindsay Prior, lê o documento como dispositivo: não um instrumento neutro de prevenção, mas uma peça que produz o sujeito sobre o qual incide. As noções de dispositivo, biopolítica e governamentalidade, em Foucault, situam a profilaxia numa racionalidade que conduz condutas; a medicalização do risco e a figura do paciente parcial, que Conrad recupera de Greaves, descrevem o usuário que, sem se perceber doente, é classificado como exposto e convocado a gerir, sob medicação contínua e vigilância clínica, a própria probabilidade de adoecer; a política vital e a cidadania biológica, em Rose, inscrevem essa vida numa economia e, ao mesmo tempo, deixam ver a possibilidade de reivindicá-la como direito. A própria adolescência sobre a qual o protocolo incide comparece, então, não como dado natural, mas como categoria historicamente construída. Conclui-se que cuidado e controle não se opõem: produzem-se juntos, e a PrEP, antes de operar como técnica preventiva, supõe um sujeito de risco que precisou ser constituído; são as condições e os efeitos dessa constituição que o trabalho se propõe a descrever. |