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Abstract:
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A adaptação à prótese de membro inferior representa um desafio clínico relevante, já que amputações correspondem a parcela expressiva dos procedimentos ortopédicos no Brasil, com forte associação a distúrbios vasculares e à neuropatia diabética. O ajuste do soquete protético depende, tradicionalmente, do relato de dor ou pressão do paciente, abordagem que falha em amputados com sensibilidade reduzida, população mais suscetível a lesões cutâneas não percebidas. A termografia infravermelha surge como ferramenta diagnóstica objetiva, capaz de detectar variações de temperatura associadas a pontos de pressão e atrito na interface coto-soquete antes do surgimento de lesões visíveis. Este estudo teve como objetivo verificar a associação entre as áreas de autopercepção de pressão relatadas por pacientes amputados e os pontos de maior calor identificados por termografia.
Participaram três pessoas amputadas de membro inferior, uma com amputação transtibial e duas com amputação transfemoral. O protocolo incluiu mapeamento da sensibilidade do coto com monofilamentos de Semmes-Weinstein, captura de imagens termográficas basais após período de aclimatação térmica, caminhada de dez minutos com a prótese em velocidade autosselecionada e nova captura termográfica imediatamente após o esforço. Os participantes demarcaram, sem acesso prévio aos mapas térmicos, as áreas de maior pressão percebida, e a intensidade do desconforto foi registrada por Escala Visual Numérica adaptada.
A marcha produziu variações térmicas significativas nos três casos, com respostas distintas entre os participantes. A participante 1 apresentou aumento de 2,4°C na face lateral do coto sem relatar nenhum desconforto, evidenciando sobrecarga mecânica silenciosa. O participante 2 exibiu correspondência entre o relato subjetivo de dor, entre os níveis 5 e 8 na Escala Visual Numérica, e o aumento de temperatura nas mesmas regiões demarcadas. Já o participante 3, com diabetes mellitus tipo 2, apresentou padrão térmico oposto, com queda de temperatura nas áreas de maior pressão relatada, achado que a literatura associa a comprometimento circulatório.
Os resultados indicam que a percepção subjetiva de pressão falha como parâmetro exclusivo de ajuste protético, sobretudo em pacientes com sensibilidade reduzida ou alterações vasculares. A termografia infravermelha se mostra uma ferramenta preventiva viável para identificar áreas de risco antes da ulceração da pele, orientando o alívio mecânico do soquete e favorecendo uma protetização mais segura e personalizada. Esta pesquisa se conecta ao eixo temático Sustentabilidade, saúde e qualidade de vida, ao propor uma ferramenta objetiva para ampliar a segurança de pessoas amputadas no uso cotidiano de próteses. |