| Title: | A deriva dos corpos é onde a memória faz morada: práticas de registro e arquivamento de corpos dissidentes |
| Author: | Martini, Benjamin Colato |
| Abstract: |
Esta dissertação investiga as práticas de registro mobilizadas por pessoas trans como tecnologias corporais de autorreflexividade e produção de si. O trabalho analisa diários escritos, fotografias, audiovisuais, prontuários médicos, performances e narrativas biográficas como formas de arquivamento da experiência, compreendidas não apenas como instrumentos de memória, mas como dispositivos ativos de fabricação de temporalidades e modos de existência. Ao longo da pesquisa, evidencia-se que o registro não opera como simples reconstituição do passado, mas como prática performativa que reorganiza o tempo vivido, produzindo sentidos retrospectivos e abrindo possibilidades de futuro. A noção de ?etnografia disfórica? é mobilizada para descrever um modo de produção de conhecimento atravessado pelo mal-estar diante das fronteiras entre sujeito e objeto, pesquisador e campo, documento e experiência. Tal perspectiva permite compreender o arquivo não como instância externa e neutra, mas como uma zona de contato, contágio e transformação recíproca. Por fim, a pesquisa argumenta que as práticas auto-registradoras entre pessoas trans constituem formas de disputa pelo corpo, pelos territórios e pelo tempo, nas quais escrever, fotografar, filmar e performar a própria experiência se apresentam como gestos éticos, estéticos e políticos de resistência às normatividades cisheterogêneas e aos regimes biomédicos de classificação. Abstract: This dissertation investigates the recording practices mobilized by trans people as bodily technologies of self-reflexivity and self-production. The study analyzes written diaries, photographs, audiovisual materials, medical records, performances, and biographical narratives as forms of archiving experience, understood not only as instruments of memory but as active devices for the fabrication of temporalities and modes of existence. Throughout the research, it becomes evident that recording does not operate as a simple reconstruction of the past, but as a performative practice that reorganizes lived time, producing retrospective meanings and opening up possibilities for the future. The notion of ?dysphoric ethnography? is mobilized to describe a mode of knowledge production permeated by discomfort regarding the boundaries between subject and object, researcher and field, document and experience. This perspective allows the archive to be understood not as an external and neutral instance, but as a zone of contact, contagion, and reciprocal transformation. Finally, the research argues that self-recording practices among trans people constitute forms of dispute over bodies, territories, and time, in which writing, photographing, filming, and performing one?s own experience appear as ethical, aesthetic, and political gestures of resistance to cisheteronormative frameworks and biomedical regimes of classification. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275194 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
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| PASO0664-D.pdf | 12.60Mb |
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