Também nos animais as centelhas se mostram: hibridismo na poesia e no desenho de Hilda Hilst

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Também nos animais as centelhas se mostram: hibridismo na poesia e no desenho de Hilda Hilst

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Title: Também nos animais as centelhas se mostram: hibridismo na poesia e no desenho de Hilda Hilst
Author: Cardoso, Eduavison Pacheco
Abstract: A noção de animalidade é fulcral para a análise da literatura e da produção artística de Hilda Hilst, e ela aparece sob a forma de vestígios no trabalho da autora. São rastros que, por si mesmos, demandam a imagem. A tese, então, é de que os saberes animais erigidos pela escritora e desenhista, especialmente seus vestígios e suas imagens, servem como dispositivos para evidenciar seu espaço de hibridização, de soleira, de entremeio com o humano, mas, sobretudo, com a própria palavra. A metodologia adotada para o trabalho é a arqueológica, baseada nos ideais de Giorgio Agamben e Raúl Antelo, e cujo objetivo maior não é buscar uma origem da manifestação da animalidade, mas sim propor uma nova leitura do trabalho de Hilda Hilst baseada em uma escavação em seus arquivos a respeito da relação da literatura e da manifestação artística da poeta com a animália constituída por ela ao longo de seu trabalho literário e acerca do desenho. A noção de animalidade segue os preceitos de Maria Esther Maciel e de parte da filosofia que opera a questão animal de duas formas diferentes: a primeira toma os animais muito distantes dos humanos, como ocorre com Aristóteles, Santo Agostinho, Descartes, Heidegger; a segunda discute a animalidade sob um viés menos antropológico e expõe outros modo de ver e pensar o animal, tal como Montaigne, John Berger, Jacques Derrida, Donna Haraway. Dividi as análises em três vestígios: os animais do amor, que convocam a si os do erotismo; os da morte; e os do divino. Embora essa tríade não se apresente de forma separada no trabalho de Hilda Hilst, ela é observada e analisada, muitas vezes, de maneiras bem delineadas. O que farei é partir dessa face tripartida daquilo que a poeta produziu, a fim de perquirir as fantasmagorias, isto é, os rastros deixados pelos animais no trabalho hilstiano.Abstract: The notion of animality is pivotal to the analysis of Hilda Hilst?s literary and artistic production, where it emerges in the form of vestiges throughout the author?s oeuvre, traces that inherently call for the image. The central thesis is that the forms of animal knowledge constructed by the writer and draughtswoman, particularly their vestiges and images, operate as dispositifs that illuminate a space of hybridization, of threshold and interstice, between the human and, above all, the word itself. The methodology adopted is archaeological in orientation and grounded in the theoretical frameworks of Giorgio Agamben and Raúl Antelo, whose primary objective is not to identify an origin of the manifestations of animality but rather to propose a renewed reading of Hilst?s work through an excavation of her archives, focusing on the relationship between literature, artistic expression, and the animália constituted across her literary and graphic production. The concept of animality follows the critical perspectives articulated by Maria Esther Maciel, as well as strands of philosophy that approach the animal question from two distinct vantage points, one positing a radical separation between animals and humans as seen in thinkers such as Aristotle, Saint Augustine, Descartes, and Heidegger, and the other advancing a less anthropocentric perspective that elaborates alternative modes of perceiving and conceptualizing the animal, as exemplified by Montaigne, John Berger, Jacques Derrida, and Donna Haraway. The analyses are organized around three categories of vestiges, namely the animals of love, which inherently invoke those of eroticism, the animals of death, and the animals of the divine; although this triad does not appear discretely segmented within Hilst?s work, it can nonetheless be observed and examined through recurrent and often clearly delineated configurations. The inquiry proceeds from this tripartite dimension of Hilst?s production in order to investigate its fantasmagorias, understood as the traces left by animals within the hilstian corpus.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Literatura, Florianópolis, 2026.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/275190
Date: 2026


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