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Abstract:
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A corrida de rua destaca-se como uma das modalidades esportivas que mais crescem
no Brasil e no mundo, apresentando aumento expressivo da participação feminina nas
últimas décadas. Apesar desse crescimento, mulheres ainda enfrentam diferentes
barreiras que podem influenciar sua participação e permanência na modalidade. O
presente estudo teve como objetivo identificar e analisar as barreiras estruturais,
sociais e intrínsecas percebidas por mulheres praticantes de corrida de rua na Grande
Florianópolis (Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu). Trata-se de uma pesquisa
aplicada, de delineamento transversal e abordagem quantitativa. Participaram 107
mulheres com 18 anos ou mais, praticantes de corrida de rua há pelo menos três
meses. Os dados foram coletados por meio de questionário on-line e analisados por
estatística descritiva, teste do qui-quadrado e análise de conteúdo temática. Os
resultados indicaram que a insegurança (68,2%), a evitação de determinados locais
devido à falta de segurança (92,5%), o medo da violência urbana (78,5%), a falta de
iluminação adequada (78,5%) e de infraestrutura adequada para a prática, como a
ausência de locais apropriados (78,5%), o assédio (56,1%), as dificuldades de
conciliar os treinos com trabalho (60,7%) e tarefas domésticas (53,3%), as dores e
lesões (80,4%) e os impactos do ciclo menstrual (82,2%) figuraram entre as principais
barreiras percebidas pelas participantes. Foram observadas associações
significativas entre o nível de prática e o estado civil (p = 0,044), a quilometragem
semanal (p = 0,031), a distância percorrida em provas (p = 0,001), a ocorrência de
assédio durante treinos ou competições (p = 0,020), a adaptação de roupas ou
comportamentos para evitar julgamentos (p = 0,020) e a ocorrência de dores ou lesões
relacionadas à corrida (p = 0,006). Conclui-se que as mulheres praticantes de corrida
de rua na Grande Florianópolis enfrentam barreiras estruturais, sociais e intrínsecas,
e que a maior experiência esportiva está associada a mudanças nas características
da prática, mas não elimina dificuldades relacionadas à segurança, às
responsabilidades sociais e às desigualdades de gênero percebidas pelas corredoras. |