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Abstract:
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Este Trabalho de Conclusão de Curso trata sobre a transformação do açaí de alimento
sociocultural amazônico em mercadoria no âmbito do capitalismo dependente, tendo como
objetivo central analisar como essa dinâmica reorganiza a relação entre natureza e o ser
humano, mediada pelo trabalho, com a finalidade de criação de valor na Amazônia. O
interesse pelo tema surgiu das experiências na extensão universitária com o Coletivo Veias
Abertas do Curso de Serviço Social da UFSC, bem como da relação pessoal com o território
amazônico. O problema que se buscou responder nesta pesquisa foi: como o açaí,
enquanto bem sociocultural constituído pelas populações amazônicas, é convertido em
mercadoria no contexto do capitalismo dependente e de que forma esse processo
aprofunda as desigualdades, a precarização do trabalho e a ruptura metabólica entre
homem e natureza? A vivência na extensão propiciou o aprofundamento teórico sobre a
dinâmica capitalista latino americana, a partir do qual emergiram as questões orientadoras,
juntamente, surge a indagação que impulsiona buscar compreender as dinâmicas sociais
presentes na Amazônia sobre a lógica de valorização capitalista. Para as aproximações
sucessivas e apreensão da realidade, a pesquisa foi pautada na crítica do materialismo
histórico-dialético a partir do método em Marx, o qual permite compreender as múltiplas
determinações que constituem a realidade social e sua dinamicidade. Trata-se de uma
pesquisa de caráter exploratório, de natureza qualitativa. Para a coleta de dados,
utilizaram-se as técnicas de pesquisa bibliográfica e documental, que subsidiaram a análise
da cadeia produtiva do açaí e suas mediações socioeconômicas. No desenvolvimento do
trabalho, discutem-se inicialmente as relações entre natureza, ser humano e capital, no
interior da formação social dependente, articulando a ruptura metabólica e a exploração da
natureza na periferia do sistema. Em seguida, analisa-se o processo de criação de valor na
cadeia produtiva do açaí, destacando a mercantilização do fruto, a precarização do trabalho
e a verticalização industrial apoiada por políticas estatais. Como resultado preliminar,
sinaliza-se que a crescente inserção do açaí nas cadeias globais de valor aprofundou a
subordinação da Amazônia ao capitalismo dependente, expressa na captura desigual do
valor, na pressão sobre territórios ribeirinhos e na conversão de um alimento historicamente
enraizado na cultura amazônica em commodity global. |