|
Abstract:
|
Este Trabalho de Conclusão de Curso versa sobre o trabalho das assistentes sociais
vinculadas aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) em um
município da Grande Florianópolis em Santa Catarina. A pesquisa parte da seguinte
problemática: como se dá o trabalho das assistentes sociais nos CRAS de um
município da Grande Florianópolis? Com base nisso, definiu-se como objetivo geral
compreender o trabalho desses/as profissionais nos CRAS do município
pesquisado, contribuindo para o aprofundamento deste debate considerando que a
política de assistência social é a que concentra maior quantitativo de profissionais da
área na atualidade (CFESS, 2024). Para orientar a análise esse objetivo geral
desdobrou-se nos seguintes objetivos específicos: a) compreender a configuração
da política de assistência social no Brasil; b) apreender as condições e relações de
trabalho de assistentes sociais nos CRAS pesquisados; c) identificar as principais
dificuldades e desafios enfrentados no trabalho pelas assistentes sociais dos CRAS;
d) mapear as estratégias utilizadas pelas/os assistentes sociais frente ao trabalho
nos CRAS. O estudo fundamenta-se no método materialista histórico-dialético,
orientado pelas categorias de totalidade, contradição e mediação, possibilitando
apreender o objeto de estudo em sua complexidade e historicidade, considerando as
determinações estruturais da política de assistência social e do trabalho no
capitalismo. A pesquisa envolveu levantamento bibliográfico e documental, com
base na CF/88, LOAS, PNAS, NOB-RH/SUAS, resoluções do CFESS e produções
acadêmicas da área, e foi desenvolvida por meio de abordagem quantitativa. Na
etapa empírica, aplicou-se um questionário estruturado às/aos 30 assistentes sociais
atuantes nos seis CRAS do município, obtendo-se 13 respostas, correspondendo a
43,3% do total. Os dados levantados demonstram que a categoria nos CRAS deste
município é majoritariamente feminina (92,3%) e branca (77%), com formação
predominantemente em instituições públicas presenciais (77%). A maioria possui
vínculo estatutário e carga horária entre 25 e 30 horas semanais, embora 31%
acumulem múltiplos vínculos profissionais. As condições de trabalho apresentam
aspectos positivos, como autonomia relativa no exercício profissional (100% entre
plena e parcial), reconhecimento dos pareceres técnicos (76,9%) e
comprometimento com o projeto ético-político, evidenciado pela unanimidade quanto
à importância da educação permanente e pelo engajamento em espaços coletivos
como fóruns, sindicatos e seminários (85%). Entretanto, o estudo evidencia a
presença de fragilidades estruturais nos CRAS, tais como inadequações na
infraestrutura física, além de limitações relacionadas ao suporte institucional e
planejamento das ações. Ainda, foram identificadas estratégias importantes
empregadas pelas/os profissionais, como articulação coletiva, participação política e
contínua atualização teórico-metodológica, práticas que mostram que, mesmo diante
das adversidades, o cotidiano de trabalho nos CRAS também se constitui como
espaço de resistência e afirmação dos princípios e valores do projeto ético-político
do Serviço Social. |