Perspectivas de Abya Yala e a decolonização epistêmica na Organização do Conhecimento: o olhar a partir da Escala de Decolonialidade para Estudos em Organização do Conhecimento (EDEOC)

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Perspectivas de Abya Yala e a decolonização epistêmica na Organização do Conhecimento: o olhar a partir da Escala de Decolonialidade para Estudos em Organização do Conhecimento (EDEOC)

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Title: Perspectivas de Abya Yala e a decolonização epistêmica na Organização do Conhecimento: o olhar a partir da Escala de Decolonialidade para Estudos em Organização do Conhecimento (EDEOC)
Author: Garcez, Dirnéle Carneiro
Abstract: O quão decolonial é o conhecimento produzido por pesquisadoras(es) de Abya Yala do campo da Organização do Conhecimento? Esta é a questão que suleia esta pesquisa. Parte-se da hipótese de que existem duas perspectivas decoloniais em Organização do Conhecimento, sendo estas a Decolonialidade restrita e a Decolonialidade crítica. Para tanto, este estudo tem como objetivo geral investigar se e como pesquisadoras(es) de Abya Yala realizam a decolonização do conhecimento no campo da Organização do Conhecimento. Em vista disso, desdobra-se como objetivos específicos: a) Aproximar os estudos epistemológicos em Organização do Conhecimento com estudos decoloniais; b) Mapear as perspectivas epistemológicas no campo da Organização do Conhecimento em Abya Yala, a partir da análise da produção de suas(seus) pesquisadoras(es); c) Identificar conceitos, abordagens, teorias e epistemologias produzidos e/ou utilizados pelas(os) pesquisadoras(es) investigadas(os); d) Desenvolver uma Escala de Decolonialidade para Estudos em Organização do Conhecimento (EDEOC), como um instrumento que avalie e mensure a representatividade epistêmica, a adoção de abordagens críticas e a inclusão da diversidade epistêmica, cultural e linguística em estudos decoloniais no campo da Organização do Conhecimento; e, por fim, e) Aplicar a Escala de Decolonialidade para Estudos em Organização do Conhecimento (EDEOC) para mensurar e avaliar como e se apresentam os estudos decoloniais no campo. A fundamentação teórica desta pesquisa volta-se para a aproximação da Organização do Conhecimento com a decolonização do conhecimento, visando compreender as diversas posturas epistemológicas articuladas na produção do conhecimento oriunda de pesquisadoras(es) de Abya Yala, com base nos estudos de Aníbal Quijano, Ramón Grosfoguel, Boaventura de Sousa Santos, Nelson Maldonado-Torres, Walter Mignolo e Joaze Bernardino-Costa. Como lente teórica principal da pesquisa, o estudo se embasa nos fundamentos da Interculturalidade, uma base teórico-crítica decolonial articulada a quatro critérios que orientarão a busca por abordagens decoloniais na produção científica de Organização do Conhecimento de Abya Yala. Tal base está fundamentada nos estudos de Catherine Wash, Vera Candau, Natalia Duque-Cardona, Gislaine Martinelli Baniski, Paula Cruz Ríos, Tracey Bretag, Joaquín Beltrán, Néstor García Canclini e Rubens Cieslak. Metodologicamente, trata-se de um estudo exploratório e descritivo, de cunho bibliográfico e documental, de abordagem quali-quantitativa pautado em dados métricos (quantitativos) e em análise textual (qualitativa) para realizar a exploração das informações levantadas. Como resultados, é apresentada a construção da EDEOC, bem como sua aplicação nos estudos decoloniais recuperados nas bases de dados, livros, capítulos, periódicos, artigos, editoras e eventos da Organização do Conhecimento e Ciência da Informação. Os estudos analisados neste trabalho demonstraram que as pesquisas estão mais próximas da Decolonialidade restrita do que daquela que consideraríamos a ideal, a Decolonialidade Crítica, devido à predominância do pensamento hegemônico e eurocêntrico, evidenciando uma lacuna e/ou uma carência na representatividade teórica e nas referências epistêmica das vozes não-hegemônicas, como pesquisadores negros, indígenas, mulheres e latino-americanos. Além disso, a falta de diálogo com as vertentes teóricas decoloniais e a escassez de representatividade, instrumentos, cultura e linguagem de grupos colocados às margens contribuem para uma maior proximidade com a Colonialidade ? e suas dimensões: do ser, saber, ecológica ? do que com a Decolonialidade. Percebemos que mesmo quando o pesquisador branco se enfoca nos estudos que buscam essa diversidade de saberes, a validação de seu pensamento perpassa por vincular a uma teoria ou epistemologia advinda de outro homem ou mulher branca. Poucos ainda voltam seu olhar para a adaptabilidade da autoria citada ao contexto específico que está situado, neste caso, o do Sul. Essa dependência epistêmica do conhecimento masculino vai ao encontro de uma lógica patriarcal e que expressa o padrão de poder epistêmico e científico presente dentro da Organização do Conhecimento.Abstract: How decolonial is the knowledge produced by researchers from Abya Yala in the field of Knowledge Organization? This is the guiding question of this research. The hypothesis is that there are two decolonial perspectives in Knowledge Organization: Restricted Decoloniality and Critical Decoloniality. The main objective of this study is to investigate if and how researchers from Abya Yala carry out the decolonization of knowledge in the field of Knowledge Organization. The specific objectives are: a) To bring epistemological studies in Knowledge Organization closer to decolonial studies; b) To map the epistemological perspectives in the field of Knowledge Organization in Abya Yala, based on the analysis of the production of its researchers; c) To identify concepts, approaches, theories and epistemologies produced and/or used by the researchers investigated; d) To develop a Decoloniality Scale for Studies in Knowledge Organization (EDEOC) as an instrument that evaluates and measures epistemic representativeness, the adoption of critical approaches and the inclusion of epistemic, cultural and linguistic diversity in decolonial studies in the field of Knowledge Organization; and e) To apply the Decoloniality Scale for Studies in Knowledge Organization (EDEOC) to measure and evaluate how decolonial studies are presented in the field. The theoretical foundation of this research focuses on the approximation of Knowledge Organization with the decolonization of knowledge, aiming to understand the diverse epistemological positions articulated in the knowledge production from researchers in Abya Yala, based on the studies of Aníbal Quijano, Ramón Grosfoguel, Boaventura de Sousa Santos, Nelson Maldonado-Torres, Walter Mignolo and Joaze Bernardino-Costa. As the main theoretical lens of the research, the study is based on the foundations of Interculturality, a decolonial theoretical-critical basis articulated in four criteria that will guide the search for decolonial approaches in the scientific production of Knowledge Organization in Abya Yala. Methodologically, this is an exploratory and descriptive study, with a bibliographic and documentary approach, and a qualitative-quantitative approach based on metric data (quantitative) and on content analysis (qualitative) to explore the information collected. The results present the construction of the EDEOC, as well as its application in the decolonial studies recovered in the databases, books, chapters, journals, articles, publishers and events of Knowledge Organization and Information Science. The analyzed studies showed that the research is closer to Restricted Decoloniality than to what we would consider the ideal, which is Critical Decoloniality, due to the predominance of hegemonic and Eurocentric thought, evidencing a gap in theoretical representativeness and the epistemic authority of non-hegemonic voices, such as black, indigenous, women and Latin American researchers. In addition, the lack of dialogue with decolonial theoretical strands and the scarcity of representativeness, instruments, culture and language of groups placed on the margins contribute to a greater proximity to Coloniality ? and its dimensions: of being, knowing, ecological ? than to Decoloniality. We realize that even when the white researcher focuses on studies that seek this diversity of knowledge, the validation of his thinking involves linking it to a theory or epistemology coming from another white man or woman. Few still turn their attention to the adaptability of the cited authorship to the specific context that is located, in this case, the South. This epistemic dependence on male knowledge meets a patriarchal logic and expresses the pattern of epistemic and scientific power present within of Knowledge Organization.
Description: Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa Pós-Graduação em Ciência da Informação, Florianópolis, 2024.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/274583
Date: 2024


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