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Abstract:
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Este trabalho tem como objetivo resgatar e analisar historicamente o protagonismo de Pamela Colman Smith na criação do baralho de Tarô Smith-Waite (1909), evidenciando como sua trajetória pessoal, marcada por sua vivência birracial, sexualidade não normativa e atuação nos círculos esotéricos britânicos, contribuiu significativamente para a revolução simbólica do ocultismo contemporâneo. A pesquisa parte da biografia da ilustradora como eixo interpretativo, articulando-a às trajetórias de Arthur Edward Waite que foi o idealizador do baralho, além de entendê-la no contextos das mulheres que integraram com a Hermetic Order of the Golden Dawn entre o final do século XIX e o início do século XX. A questão norteadora investiga de que maneira, apesar do apagamento nominal de Smith, as 78 lâminas do Tarô podem ser lidas como fontes históricas e simbólicas de sua trajetória. Para isso, utiliza-se como aporte teórico e historiográfico O’Connor, Mary K. Greer, Isabelle Nadolny e Aby Warburg, mobilizando conceitos como arquétipo, alegoria, Nachleben e Pathosformel para análise final das imagens. Articulando biografia, iconografia e montagem visual para
observar, através de cartas selecionadas, a sobrevivência de gestos, cenas, símbolos e figuras femininas ligadas ao universo artístico, político e místico da ilustradora. Parte-se da hipótese de que sua pós-vida permanece inscrita nas ilustrações, especialmente nos arcanos menores e nas figuras da corte. Assim, este trabalho compreende o Tarô Smith-Waite como espaço de sobrevivência imagética de Pamela Colman Smith, no qual sua presença histórica pode ser recuperada através das imagens que criou. |