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Abstract:
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O setor industrial brasileiro tem papel central na economia, representando 25,5% do
Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e Santa Catarina se destaca como um dos
polos industriais mais competitivos do país, com mais de 64 mil unidades industriais
ativas. Apesar dessa relevância econômica, ainda não existem pesquisas voltadas
especificamente à mensuração do nível de maturidade digital das indústrias
catarinenses, o que dificulta a identificação sistemática dos principais gargalos
tecnológicos e organizacionais enfrentados por essas empresas no processo de
adoção da Indústria 4.0. Diante dessa lacuna, o presente trabalho teve por objetivo
analisar a maturidade digital da Indústria 4.0 em indústrias do estado de Santa
Catarina, com base no modelo de maturidade IMPULS, a fim de identificar as
dimensões com os maiores déficits, os desafios de desenvolvimento e comparar os
resultados obtidos com estudos realizados em outras regiões. A metodologia da
pesquisa foi caracterizada como quantitativa e descritiva, sendo adotado o método
de levantamento (survey) como procedimento de coleta de dados. O instrumento,
elaborado com base nas seis dimensões do modelo IMPULS e adaptado ao
contexto brasileiro, foi distribuído eletronicamente a profissionais atuantes em cargos
de produção, engenharia, inovação e gestão industrial em 30 indústrias catarinenses
de grande, médio e pequeno porte, distribuídas em sete segmentos industriais. Os
resultados obtidos apresentam um cenário de maturidade digital ainda em estágio
inicial. O Índice de Maturidade Global (IMG) médio apurado foi de 1,25,
posicionando a amostra predominantemente no Nível 1 (Iniciante) da escala
IMPULS. A decomposição do IMG nas seis dimensões evidenciou um perfil
assimétrico: a dimensão Operações Inteligentes apresentou o maior déficit,
configurando o principal gargalo da amostra, ao passo que Produtos Inteligentes e
Recursos Humanos registraram os melhores desempenhos relativos. Foi identificada
uma contradição estrutural na dimensão Operações Inteligentes: o critério
Segurança de TI foi o mais elevado de toda a pesquisa, enquanto Processos
Autônomos e Partilha de Informação permaneceram no Nível 1, resultado atribuído à
arquitetura de TI centralizada, presente em praticamente todas as empresas
avaliadas. No ranking de comparação com estudos anteriores que aplicaram o
mesmo modelo, Santa Catarina se encontra numa posição acima do estado do
Espírito Santo e em patamar equivalente ao de Portugal. A recorrência da dimensão
Operações Inteligentes como principal gargalo nas amostras brasileiras sugere que
esse déficit constitui uma característica estrutural da indústria nacional, e não uma
especificidade regional. |