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Abstract:
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O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Por outro lado, considerando a elevada toxicidade de algumas destas substâncias para os seres humanos, o uso de alguns destes compostos tem sido proibido em diversos países incluindo o Brasil, como é o caso do Paraquat (PQ). Evidências consistentes obtidas em estudos usando modelos animais, em estudos clínicos e epidemiológicos indicam que a exposição ao PQ está associada ao aumento no risco no desenvolvimento de transtornos de ansiedade, depressão e a doença de Parkinson (DP). Neste sentido, estudos utilizando a administração de altas doses (10 a 15 mg/kg) de PQ pela via intraperitoneal em camundongos machos demonstraram o desenvolvimento de prejuízos motores, comportamentos do tipo-ansioso e do tipo-depressivo, bem como prejuízos olfatórios e sensoriais. No presente estudo, avaliou-se os efeitos da administração crônica intranasal de uma baixa dose de PQ, considerando esta uma via de exposição comumente encontrada em situações ocupacionais, sobre a atividade motora, olfatória, intestinal e comportamentos relacionados à ansiedade, anedonia e depressão em camundongos C57BL/6 machos e fêmeas com idade de 3 a 4 meses. Os animais receberam a administração intranasal de PQ (1,25 mg/kg/dia) ou solução salina durante 28 dias. A partir do 25º dia os animais foram submetidos a uma bateria de testes comportamentais incluindo a discriminação olfatória, o campo aberto, a borrifação de sacarose e a suspensão pela cauda. No 29º dia foi mensurado o trânsito intestinal, seguido da eutanásia e coleta de tecidos encefálicos e intestinais para análises posteriores. Os resultados indicaram uma maior sensibilidade das fêmeas ao desenvolvimento de alterações comportamentais relacionadas à ansiedade e anedonia induzida pela administração intranasal de PQ, caracterizada pelo tempo reduzido no centro no campo aberto, latência aumentada para o início do comportamento de autolimpeza no teste de borrifação com sacarose. Adicionalmente, as fêmeas que receberam a administração intranasal de PQ apresentaram redução no trânsito intestinal e perda de peso. Nos machos foi observado um aumento na latência para a autolimpeza no teste de borrifação com sacarose e aumento na variação de peso. Não foram observados prejuízos olfatórios ou motores nos animais que receberam a administração intranasal de PQ, independente do sexo dos animais. Os resultados do presente estudo são pioneiros ao evidenciar que, mesmo em baixa dose, a administração crônica do PQ pela via intranasal pode desencadear diferentes respostas emocionais e sistêmicas em camundongos, principalmente em fêmeas, corroborando o risco do seu uso para a saúde. Esses achados contribuem para o avanço do conhecimento sobre os efeitos da exposição a agrotóxicos em modelos animais ao investigar via de administração, baixa dose e comparação de diferenças entre sexo dos animais pouco exploradas na literatura. |