| Title: | Parteiras tradicionais no litoral de Santa Catarina: entre a marginalização e a resistência |
| Author: | Lopes, Julia Dias |
| Abstract: |
O presente trabalho tem como objetivo analisar práticas e experiências do partejar tradicional no litoral de Santa Catarina, por meio de entrevistas realizadas com três parteiras tradicionais contemporâneas da região delimitada. Valendo-se de entrevistas em profundidade, a pesquisa qualitativa debruça-se nas histórias sobre o início da atuação das parteiras, assim como sobre os desafios enfrentados nos últimos anos. Articulando Maria Lucia Barros Mott (1999a; 1999b), Timothy D. Walker (2013), Angel Rama (2010), Maria Lugones (2008), bell hooks (2019), Antonio Bispo (2023) e demais pensadores e pensadoras feministas e/ou decoloniais, o trabalho conceitua o ser e o fazer da mulher parteira. Além disso, realiza levantamento histórico que permite compreender a marginalização dos saberes populares na atualidade, relacionando tal violência à colonialidade, que privilegia a escrita em detrimento da oralidade. As entrevistas, juntamente com a bibliografia, demonstram que a letra escrita vem sendo usada como ferramenta de desmoralização das parteiras tradicionais, que sofrem violências por meio de Normas Técnicas da Secretaria de Saúde e do Ministério Público, mesmo tendo o direito ao ofício garantido por lei. Explora-se, também, as implicações do meio urbano no processo de marginalização, que, segundo bell hooks (2019) é espaço de exclusão tanto quanto de criatividade e resistência. Abstract: The present study aims to analyze experiences of traditional midwifery along the coast of Santa Catarina through interviews conducted with three contemporary traditional midwives from the delimited region. Using in-depth interviews, this qualitative research focuses on narratives concerning the beginnings of the midwives? professional trajectories, as well as the challenges they have faced in recent years. Drawing on the works of Maria Lucia Barros Mott (1999a; 1999b), Timothy D. Walker (2013), Angel Rama (2010), Maria Lugones (2008), bell hooks (2019), Antonio Bispo (2023), and other feminist and/or decolonial thinkers, the study conceptualizes the being and practice of traditional midwives. Also, the research undertakes a historical survey that allows for an understanding of the contemporary marginalization of popular and traditional knowledge, relating such violence to coloniality, which privileges writing at the expense of orality. The interviews, together with the bibliographic literature, demonstrate that written language has been used as a tool to delegitimize traditional midwives, who experience forms of violence through Technical Regulations issued by the Health Department and the Public Prosecutor?s Office, despite having their right to practice guaranteed by law. The study also explores the implications of the urban environment in the processes of marginalization, which, according to bell hooks (2019), is a space of exclusion as well as of creativity and resistance. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Literatura, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/273210 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
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| PLIT1011-D.pdf | 2.396Mb |
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