| Title: | Raça e saúde mental na universidade pública: revisão da literatura produzida no período de 2020-2024 com estudantes negros do ensino superior |
| Author: | Ramos, Natalia Freitas |
| Abstract: |
Estudos recentes mostram que situações discriminatórias enfrentadas por alunos negros na universidade podem gerar quadros de depressão, ansiedade e baixa autoestima, refletindo na vivência universitária e ameaçando a permanência acadêmica desses estudantes, assim como a própria efetivação das Políticas de Ações Afirmativas. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é analisar como a relação entre raça e saúde mental na universidade é tratada nas pesquisas primárias com estudantes negros do Ensino Superior público brasileiro, buscando compreender a conexão entre racismo e sofrimento psíquico no ambiente acadêmico. Utilizou-se uma metodologia de abordagem qualitativa, do tipo bibliográfica, de natureza interpretativa, a partir da técnica da revisão de literatura primária. Foram selecionados sete artigos e dissertações que relacionam concomitantemente os assuntos de raça, saúde mental e ensino superior, produzindo dados primários a partir de métodos como questionários, entrevistas, encontros em grupo ou com a metodologia da escrevivência. Realizou-se uma síntese integradora entre eles, a partir do diálogo e análise dos resultados. As discussões foram realizadas com base em uma perspectiva crítica da raça, para uma compreensão aprofundada acerca dos fatores sociais que englobam o campo da saúde mental, com reflexões ancoradas em teorias decoloniais e críticas à medicalização social, considerando as transformações histórico-sociais pelas quais passam a universidade e a sociedade a partir da entrada massiva de estudantes negros no ensino superior, e contribuições da perspectiva interseccional, que considera os aspectos de classe e gênero ligados ao fator racial. Utilizou-se como referência intelectuais negros como Frantz Fanon, Neusa Santos Souza e Grada Kilomba para compreender os impactos do racismo na subjetividade negra. A maior parte dos trabalhos selecionados são da área da Psicologia, mostrando a necessidade de produção de mais trabalhos nas áreas das Ciências Humanas e Sociais na temática. O recorte temporal adotado foi de 2020 à 2024 por ser o período de realização das pesquisas encontradas, as quais, em sua maioria, foram realizadas na região Nordeste do país. Os resultados ressaltam que as dificuldades financeiras entre os estudantes representam fator de relevância para sua saúde mental, demonstrando a necessidade de Políticas de Assistência Estudantil para os grupos mais vulneráveis. Em muitas pesquisas, os estudantes relatam que o ingresso na academia gerou sentimentos de inferioridade, solidão, desamparo afetivo e inadequação, evidenciando a demanda de maior representatividade tanto no corpo docente quanto nos Currículos de Ensino. As pesquisas analisadas demonstram que, para combater o racismo na universidade, é fundamental o engajamento de toda a comunidade acadêmica, por meio de atividades de promoção da consciência racial. Os trabalhos apresentam reiterados modos individuais e coletivos de resistência perante as situações de racismo no ambiente acadêmico, em que os coletivos negros acabam sendo os principais responsáveis pelo cuidado em saúde mental dos estudantes negros, a partir da promoção de acolhimento, pertencimento, letramento racial e racialização crítica. Para além de ações de auxílio à saúde mental, como programas de atendimento psicológico gratuito e canais para denúncias, os resultados indicam a necessidade de fomentar Políticas de Equidade Racial no âmbito de cada Universidade, com estratégias de enfrentamento ao racismo estrutural e institucional para que os estudantes negros não cheguem ao adoecimento psíquico. Recent studies show that discriminatory situations faced by black students at university can generate depression, anxiety and low self-esteem, which reflects on the university experience and threatens the academic permanence of these students, as well as the very effectiveness of Affirmative Action Policies. In this sense, the objective of this study is to analyze how the relationship between race and mental health at university is treated in primary research with black students of brazilian public higher education, describing the connection between racism and psychic suffering in the academic environment. A qualitative approach methodology was used, of the bibliographic type, of interpretative nature, from the primary literature review technique. Seven articles and dissertations were selected that relate simultaneously the subjects of race, mental health and higher education, producing primary data from methods such as questionnaires, interviews, group meetings or with the methodology of escrevivência (a type of writing based on experience). An integrative synthesis was carried out among them, from the dialogue and analysis of the results. The discussions were based on a critical perspective of race, for an in-depth understanding of social factors that encompass the field of mental health, with reflections anchored in decolonial theories and criticism of social medicalization, considering the historical and social transformations through which the university and society pass from the massive entry of black students into higher education, with contributions from an intersectional perspective that considers the class and gender aspects linked to the racial factor. Black intellectuals such as Frantz Fanon, Neusa Santos Souza and Grada Kilomba were used as a reference to understand the impacts of racism on black subjectivity. Most of the works selected are from the area of Psychology, showing the need to produce more work in the areas of Humanities and Social Sciences. The time cut adopted was from 2020 to 2024 because it is the period of realization of the researches found, which, in their majority, were carried out in the Northeast region of Brazil. The results highlight that financial difficulties among students represent a relevant factor for their mental health, demonstrating the need for Student Assistance Policies for the most vulnerable groups. In many researches, students report that the entry into the academy generated feelings of inferiority, loneliness, affective helplessness and inadequacy, showing the demand for greater representativeness both in the faculty and in the Teaching Curricula. The analyzed research shows that to combat racism at university, it is essential to engage the entire academic community, based on activities to promote racial awareness. The works present repeated individual and collective ways of resistance to situations of racism in the academic environment, where black collectives end up being the main responsible for mental health care of black students, from the reception, belonging, racial literacy and critical racialization. In addition to actions to assist mental health, such as free psychological care programs and channels for complaints, the results indicate the need to foster Racial Equity Policies within each university, with strategies to confront structural and institutional racism so that black students do not get mentally ill. Estudios recientes señalan que situaciones discriminatorias enfrentadas por estudiantes negros en la universidad pueden generar cuadros de depresión, ansiedad y baja autoestima, lo cual se refleja en la experiencia universitaria y amenaza la permanencia académica de estos estudiantes, tan bien como la propia efectividad de las Políticas de Acciones Afirmativas. En este sentido, el objetivo de este trabajo es analizar cómo la relación entre raza y salud mental en la universidad se trata en las investigaciones primarias con estudiantes negros de la enseñanza superior pública brasileña, describiendo la conexión entre racismo y sufrimiento psíquico en el ambiente académico. Se utilizó una metodología de enfoque cualitativo, del tipo bibliográfico, de naturaleza interpretativa, a partir de la técnica de revisión de literatura primaria. Se seleccionaron siete artículos y disertaciones (tesis de maestría) que relacionan simultáneamente los temas de raza, salud mental y educación superior, produciendo datos primarios a partir de métodos como cuestionarios, entrevistas, encuentros en grupo o con la metodología de la escrevivência (un tipo de escritura basada en la vivencia). Se realizó una síntesis integradora entre ellos, a partir del diálogo y análisis de los resultados. Las discusiones se llevaron a cabo sobre la base de una perspectiva crítica de la raza, para una comprensión en profundidad sobre los factores sociales que abarcan el campo de la salud mental, con reflexiones ancladas en teorías decoloniales y críticas a la medicalización social, considerando las transformaciones históricas y sociales por las que pasan la universidad y la sociedad a partir de la entrada masiva de estudiantes negros en la educación superior, con contribuciones de la perspectiva interseccional, que considera los aspectos de clase y género vinculados al factor racial. Se utilizó como referencia intelectuales negros como Frantz Fanon, Neusa Santos Souza y Grada Kilomba para comprender los impactos del racismo en la subjetividad negra. La mayor parte de los trabajos seleccionados son del área de la Psicología, mostrando la necesidad de producir más trabajos en las áreas de las Ciencias Humanas y Sociales. El recorte temporal adoptado fue de 2020 a 2024 por ser el período de realización de las investigaciones encontradas, las cuales, en su mayoría, fueron realizadas en la región Nordeste de Brasil. Los resultados destacan que las dificultades financieras entre los estudiantes representan un factor de relevancia para su salud mental, demostrando la necesidad de Políticas de Asistencia Estudiantil para los grupos más vulnerables. En muchas investigaciones, los estudiantes reportan que el ingreso a la academia generó sentimientos de inferioridad, soledad, desamparo afectivo e inadecuación, evidenciando la demanda de mayor representatividad tanto en el cuerpo docente como en los Currículos de Enseñanza. Las investigaciones analizadas demuestran que, para combatir el racismo en la universidad, es fundamental el compromiso de toda la comunidad académica, basándose en actividades de promoción de la conciencia racial. Los trabajos presentan reiterados modos individuales y colectivos de resistencia frente a las situaciones de racismo en el entorno académico, donde los colectivos negros terminan siendo los principales responsables del cuidado en salud mental de los estudiantes negros, desde la acogida, pertenencia, alfabetización racial y racialización crítica. Además de acciones de ayuda a la salud mental, como programas de atención psicológica gratuita y canales para denuncias, los resultados indican la necesidad de fomentar Políticas de Equidad Racial en el ámbito de cada Universidad, con estrategias de enfrentamiento al racismo estructural e institucional para que los estudiantes negros no lleguen al sufrimiento psíquico. |
| Description: | TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Ciências Sociais. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/272032 |
| Date: | 2026-01-26 |
| Files | Size | Format | View | Description |
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| TCC.pdf | 651.4Kb |
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