| Title: | Retratações científicas no YouTube: informação, ambiguidade e desinformação na circulação de artigos retratados em vídeos de divulgação científica |
| Author: | Silva, Jônatas Edison da |
| Abstract: |
A ciência constitui-se como um processo coletivo, no qual a comunicação científica é central para a validação e a circulação do conhecimento. Com a expansão dos ambientes digitais, conteúdos científicos passaram a circular também no YouTube, ampliando seu alcance e alterando suas mediações. Embora mecanismos de correção, como a retratação científica, permaneçam ativos, artigos retratados continuam a circular em vídeos, frequentemente sem indicação dessa condição, o que amplia riscos de desinformação científica. Para isso, o objetivo geral é analisar as informações apresentadas em vídeos de divulgação científica no YouTube que mencionam artigos retratados, analisando como essas pesquisas são mencionadas, interpretadas e divulgadas. Os objetivos específicos são: a) identificar os vídeos de divulgação científica no youtube que mencionam artigos científicos retratados; b) caracterizar as métricas de engajamento dos vídeos e dos canais relacionados aos artigos retratados; c) investigar, a partir das transcrições, as formas de uso, interpretação e enquadramento dos artigos retratados nos vídeos; d) categorizar os vídeos quanto à ambiguidade científica, à desinformação científica ou à informação científica; e) examinar o conteúdo dos vídeos com base ns características das retratações dos artigos mencionados, considerando motivo, tipo e temporalidade das retratações. Trata-se de uma pesquisa básica, documental e bibliográfica, de caráter exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa e quantitativa. O corpus foi constituído a partir do cruzamento entre dados da Altmetric e da Retraction Watch Data-base (RWDB), resultando em 828 vídeos do YouTube, 311 artigos científicos retratados e 879 menções. As análises envolveram a leitura das transcrições dos vídeos, o levantamento de métricas de engajamento (visualizações, curtidas e comentários) e a caracterização das retratações. Foram empregadas técnicas de altmetria e análise de conteúdo, com categorização informacional dos vídeos em informação científica, ambiguidade científica e desinformação científica. As menções indiretas apresentaram maior ocorrência (525; 60%) em comparação às menções diretas (354; 40%). Esses artigos apresentaram média de 1,06 menção por vídeo, abrangendo, sobretudo, áreas das Ciências da Saúde e da Vida. A maior parte dos vídeos registrou níveis reduzidos de engajamento, concentrando-se em até 1.000 visualizações, até 50 curtidas e até 50 comentários. Em contraste, um conjunto restrito, vinculado a canais de grande alcance, atingiu entre 1,3 milhão e 13 milhões de visualizações. O intervalo médio entre a publicação dos artigos e sua retratação foi de 4,19 anos, sendo mais recorrentes problemas relacionados aos dados e resultados não confiáveis como motivos de retratação. No que se refere às categorias informacionais, a desinformação científica concentrou os maiores volumes de engajamento (69.055.668 visualizações), seguida pela ambiguidade científica (27.426.425) e pela informação científica (17.812.540). Conclui-se que a retratação científica não interrompe a circulação social dos artigos no YouTube. A maior ocorrência de menções indiretas e de enquadramentos desinformativos ou ambíguos indica que a correção científica não regula automaticamente o uso da informação em plataformas digitais, nas quais conteúdos menos alinhados à evidência tendem a alcançar maior engajamento, impondo desafios à divulgação científica contemporânea. Abstract: Science is constituted as a collective process in which scientific communication plays a central role in the validation and circulation of knowledge. With the expansion of digital envirenses, scientific content has also come to circulate on YouTube, broadening its reach and reshaping its mediations. Although correction mechanisms such as scientific retraction remain in place, retracted articles continue to circulate in videos, often without any indica-tion of their retracted status, thereby increasing the risk of scientific misinformation. Accordingly, the general objective of this study is to analyze the information presented in science communication videos on YouTube that mention retracted scientific articles, examining how these studies are referenced, interpreted, and disseminated. The specific objectives are: (a) to identify science communication videos on YouTube that mention retracted scientific articles; (b) to characterize the engagement metrics of the videos and channels associated with retracted articles; (c) to investigate, based on video transcripts, the ways in which retracted articles are used, interpreted, and framed; (d) to categorize the videos according to scientific ambiguity, scientific misinformation, or scientific information; and (e) to examine the video content in light of the characteristics of the retractions of the mentioned articles, considering the reasons, types, and timing of the retractions. This is a basic, documentary, and bibliographic study, with an exploratory and descriptive design, adopting both qualita-tive and quantitative approaches. The corpus was constructed through the cross-referencing of data from Altmetric and the Retraction Watch Database (RWDB), resulting in 828 YouTube videos, 311 retracted scientific articles, and 879 mentions. The analyses involved reading video transcripts, collecting engagement metrics (views, likes, and comments), and characterizing the retractions. Altmetric techniques and content analysis were applied, with the informational categorization of videos into scientific information, scientific ambiguity, and scientific misinformation. Indirect mentions were more frequent (525; 60%) than direct mentions (354; 40%). The articles analyzed showed an average of 1.06 mentions per video and were predominantly associated with the Health and Life Sciences. Most videos exhibited low levels of engagement, typically reaching up to 1,000 views, 50 likes, and 50 comments. In contrast, a limited subset of videos linked to highreach channels achieved between 1.3 million and 13 million views. The average interval between article publication and retrac-tion was 4.19 years, with issues related to unreliable data and results being the most recurrent reasons for retraction. Regarding informational categories, scientific misinformation accounted for the highest levels of engagement (69,055,668 views), followed by scientific ambiguity (27,426,425 views) and scientific information (17,812,540 views). It is concluded that scientific retraction does not interrupt the social circulation of articles on YouTube. The higher prevalence of indirect mentions and of misleading or ambiguous framings indicates that scientific correction does not automatically regulate information use on digital platforms, where content less aligned with scientific evidence tends to achieve greater engagement, posing significant challenges for contemporary science communication. |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Florianópolis, 2026. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/271970 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
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| PCIN0408-T.pdf | 9.238Mb |
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