| Title: | A construção midiática da saúde mental infantojuvenil: análise da Folha de São Paulo e do Estadão (2022-2024) |
| Author: | Ribas, Marcella Trindade |
| Abstract: |
Esta pesquisa analisa como os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo constroem discursos sobre saúde mental de crianças e adolescentes, investigando os enquadramentos predominantes e suas implicações sociais. O estudo parte do pressuposto de que a mídia atua como produtora de sentidos, legitimando determinadas visões sobre o sofrimento psíquico. A fundamentação teórica baseia-se na sociologia de Bourdieu, compreendendo o campo jornalístico como espaço de disputa simbólica onde se articulam interesses científicos, políticos e econômicos. Metodologicamente, emprega análise de conteúdo quantitativa e qualitativa de matérias publicadas entre 2022 e 2024, categorizando temas, fontes e léxicos recorrentes. Os resultados revelam a predominância de uma perspectiva biomédica e medicalizante, com 52,4% das matérias da Folha e 49,6% do Estadão adotando visão hegemônica biologicista, enquanto abordagens críticas à medicalização aparecem em apenas 10,7% e 16,3%, respectivamente. A análise lexical identificou a centralidade de termos como \"transtorno\", \"diagnóstico\" e \"tratamento\", que reforçam a patologização de comportamentos. Apesar de variações temáticas, como a ênfase da Folha em violência e do Estadão em e redes sociais e família, ambos os veículos reproduzem hierarquias de saber que privilegiam especialistas médicos (70% das fontes) e marginalizam vozes alternativas. A importação de matérias estrangeiras, principalmente norte-americanas, amplifica modelos biomédicos globalizados, desconsiderando particularidades locais. Conclui-se que a cobertura jornalística, mesmo quando ambígua, naturaliza a medicalização ao não problematizar suas bases estruturais, reforçando estigmas e negligenciando determinantes sociais como desigualdade e violência. O estudo evidencia a necessidade de uma imprensa mais plural, capaz de integrar dimensões sociopolíticas às narrativas sobre saúde mental infantojuvenil. Abstract: This research analyzes how the newspapers Folha de S. Paulo and O Estado de S. Paulo construct discourses about children and adolescents' mental health, examining predominant frameworks and their social implications. The study assumes that media acts as a producer of meanings, legitimizing specific views about psychological distress. The theoretical framework is based on Bourdieu's sociology, understanding the journalistic field as a space for symbolic dispute where scientific, political and economic interests intersect. Methodologically, it employs quantitative and qualitative content analysis of articles published between 2022 and 2024, categorizing themes, sources and recurring lexical terms. The results reveal a predominance of biomedical and medicalizing perspectives, with 52.4% of Folha's articles and 49.6% of Estadão's adopting a hegemonic biologistic view, while critical approaches to medicalization appear in only 10.7% and 16.3%, respectively. Lexical analysis identified the centrality of terms such as \"disorder\", \"diagnosis\" and \"treatment\", which reinforce the pathologization of behaviors. Despite thematic variations - such as Folha's emphasis on violence and Estadão's focus on social networks and family - both outlets reproduce knowledge hierarchies that privilege medical experts (70% of sources) and marginalize alternative voices. The importation of foreign articles, mainly from North American sources, amplifies globalized biomedical models while disregarding local particularities. The study concludes that journalistic coverage, even when ambiguous, naturalizes medicalization by failing to problematize its structural foundations, reinforcing stigmas and neglecting social determinants such as inequality and violence. The research highlights the need for more pluralistic media capable of integrating sociopolitical dimensions into narratives about child and adolescent mental health. |
| Description: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Ciência Política, Florianópolis, 2025. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/271840 |
| Date: | 2026 |
| Files | Size | Format | View |
|---|---|---|---|
| PSOP0807-D.pdf | 2.060Mb |
View/ |