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Abstract:
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Este trabalho tem como objetivo analisar o documentário “Estou me guardando pra quando o
carnaval chegar” para compreender as dimensões objetivas e subjetivas da inserção dos/as
trabalhadores/as da indústria têxtil na dinâmica da quarteirização do trabalho no Brasil, que se
configura como um novo arranjo produtivo fundamentado via reestruturação produtiva e
avanço neoliberal e se legitima atualmente com respaldo legal por meio da Lei 13.429/2017
que regulamenta a terceirização no Brasil. O processo de quarteirização se apresenta,
portanto, como um apêndice da mesma e, no caso estudado neste TCC, é viabilizado no
domicílio dos trabalhadores. Para dar consecução à pesquisa proposta, as principais categorias
estudadas foram o escravismo, capitalismo dependente, superexploração do trabalho,
neoliberalismo, reestruturação produtiva, flexibilização e precarização do trabalho e
ideologia, e em diálogo com o documentário “Estou me guardando para quando o carnaval
chegar” de Marcelo Gomes, buscou-se entender como a quarteirização do trabalho se
materializa no cotidiano dos trabalhadores produtores de jeans na cidade de Toritama/PE. O
método utilizado foi o materialismo histórico-dialético que procura entender a essência dos
processos de forma concisa, realizando mediações passado-presente e compreendendo as
contradições inerentes à realidade objetiva. As principais conclusões alcançadas foram a
compreensão de que as relações contemporâneas de trabalho são fundamentadas na
desregulamentação e precarização que buscam acumular capital advindo da superexploração
da mão de obra. No contexto do Brasil, esses mecanismos são agudizados considerando a
condição sui generis de capitalismo depentende em um país latino-americano, dessa maneira,
a classe trabalhadora, atravessada pelo racismo e sexismo, sofre as ofensivas dessas novas
formas de trabalho no seu cotidiano e são empurradas a condições extremas, como jornadas
de trabalho de 15 horas e produtividade exacerbada. A ideologia neoliberal tem papel central
nesse momento, pois propaga a ideia de que todo trabalhador na verdade é uma empresa de si
mesmo, e trabalha apenas para seu próprio sucesso, contribui para a subsunção do trabalhador
ao capital assegurando a negligência do Estado na garantia do acesso às políticas sociais em
conjunto com a responsabilização da sociedade civil, e atuação na garantia dos interesses da
burguesia. Por fim, entende-se que a utilização de mídias audiovisuais contribui de forma
artística no entendimento e apropriação dos processos contemporâneos de expropriação de
mais-valia fundamentados na superexploração do trabalho como característica central do
capitalismo dependente no Brasil. |