| Title: | Imagem Exu, Imagem Òkòtó: subjetivações com imagens jornalísticas |
| Author: | Venuto, Rafael Giovani |
| Abstract: |
A tese tem por objetivo refletir sobre como diferentes formas de subjetivação emergem de nossa experiência estética, dialética e exusíaca com imagens jornalísticas. Ao tomar Exu como intercessor epistêmico e operador conceitual capaz de instaurar movimento, ambiguidade e invenção, assumo que a imagem não é objeto estático nem mero veículo de conteúdo, mas acontecimento e experiência. Para sustentar tal deslocamento, confronto a demonização de Exu e proponho a decolonização da imagem, entendendo-a como campo de disputa, jogo, fabulação e criação de mundo. Conceitualmente, mobilizo sete nomes-forças de Exu ? Yangí, Òkòtó, Obá Oritá Metá, Enugbarijó, Onã, Bara e Elégbára ? como ferramentas analíticas que operam respectivamente como: centelha criadora; espiral e inacabamento; encruzilhada e multiplicidade; boca coletiva; caminho e travessia; potência do corpo; princípio do movimento. Metodologicamente encantado pelo Bilderatlas Mnemosyne, de Aby Warburg, realizo montagens que justapõem fotografias de imprensa, visualidades afro-diaspóricas e artes, friccionando tempos heterogêneos para produzir tensões de sentido. São painéis que visam instigar o olhar a assumir a tarefa de montagem ? como se diante deles o espectador fosse chamado a articular sentidos, a experimentar as vizinhanças que ali se entrecruzam e friccionam. Argumento que tanto Exu quanto montagem e literaridade se estruturam como jogos de encruzilhada, intervalos, fabulações e devires imaginativos, por isso exploro suas potências como expressões rizomáticas e espiraladas. Ao longo dos capítulos, busco a desestabilização das formas ocidentais e coloniais de se pensar a imagem, o corpo, a experiência estética, o jornalismo, o sujeito, a subjetivação e o próprio saber, que longe de contradizer a emoção, compõe com ela. O jornalismo, como prática da superfície e arte do presente, é relacionado ao caos e à fartura do Mercado Público, um dos principais locais de culto a Exu. Em diálogo com a cosmologia iorubá e autores da filosofia da imagem, da fenomenologia e da estética, proponho quatro noções inéditas: Imagem Exu (a imagem como choque, travessia e invenção), Imagem Òkòtó (espiral móvel que recusa fixidez e opera como quase-casa/abrigo-passagem), corpo-terreiro (chão ofertado, aberto à passagem de forças, palco de incorporação) e RIRsistência (humor, ironia e riso como potência crítica e de criação). Através de cinco ìtàns (narrativas do povo iorubá), além de um texto de Mestre Mendonça e outro autoral (fictício), demonstro que processos de subjetivação implicam desidentificações e rearranjos do comum, via dissenso, abrindo frestas para permanentes reconfigurações na distribuição do tempo e do espaço em comunidade. A tese reivindica a legitimidade de saberes historicamente subalternizados, reposiciona a crítica das imagens em chave decolonial e propõe uma epistemologia encarnada que faz do pathos, do riso, do tropeço, da montagem e da literaridade operadores de um saber em ginga, subvertendo o dogma do inimaginável e a ?partilha policial do sensível? (Rancière, 2005). Deste percurso, concluo que diferentes subjetivações com imagens jornalísticas emergem da vivência de uma emoção ? a emoção do pathos, ativa e criativa, que se confunde com Exu. Ou melhor, essa emoção, viva e errante, é a própria energia de Exu: movimento, comunicação, travessia e desequilíbrio, impulso que põe o tempo a girar e faz do sensível uma experiência em permanente fluxo. Abstract: The dissertation aims to reflect on how different forms of subjectivation emerge from our aesthetic, dialectical and exusíaca experience with journalistic images. By taking Exu as an epistemic intercessor and conceptual operator capable of instigating movement, ambiguity and invention, I assume that the image is neither a static object nor a mere vehicle for content, but an event and an experience. To sustain such a shift, I confront the demonization of Exu and propose the decolonization of the image, understanding it as a field of dispute, play, fabulation and world-making. Conceptually, I mobilize seven name-forces of Exu ? Yangí, Òkòtó, Obá Oritá Metá, Enugbarijó, Onã, Bara and Elégbára ? as analytical tools that operate respectively as: creative spark; spiral and unfinishedness; crossroads and multiplicity; collective mouth; path and crossing; bodily potency; principle of movement. Methodologically enchanted by Aby Warburg?s Bilderatlas Mnemosyne, I create montages that juxtapose press photographs, Afro-diasporic visualities and artworks, juxtaposing heterogeneous temporalities to produce tensions of meaning. These are panels designed to provoke the gaze into assuming the task of montage ? as if, before them, the spectator were invited to articulate meanings, to experiment with the neighboring forces that intersect and rub against each other. I argue that Exu, montage and literarity all structure themselves as games of crossroads, intervals, fabulations and imaginative becomings, which is why I explore their powers as rhizomatic and spiraled expressions. Throughout the chapters, I seek to destabilize Western and colonial forms of thinking the image, the body, aesthetic experience, journalism, the subject, subjectivation and knowledge itself, which does not contradict emotion but composes with it. Journalism, as a practice of the surface and an art of the present, is related to the chaos and abundance of the Mercado Público, one of the main places of worship to Exu. In dialogue with Yorùbá cosmology and with authors from image theory, phenomenology and aesthetics, I propose four original notions: Imagem Exu (the image as shock, crossing and invention), Imagem Òkòtó (a mobile spiral that refuses fixity and operates as a quasi-house/shelter-passage), corpo-terreiro (an offered ground, open to the passage of forces, a stage for incorporation) and RIRsistência (humor, irony and laughter as critical and creative potency). Through five ìtàns (narratives of the Yorùbá people), along with a text by Mestre Mendonça and another authorial one (fictional), I demonstrate that processes of subjectivation imply de-identifications and rearrangements of the common, through dissensus, opening cracks for ongoing reconfigurations in the distribution of time and space in community. The dissertation claims the legitimacy of historically subalternized knowledges, repositions image critique within a decolonial key, and proposes an embodied epistemology that turns pathos, laughter, stumbling, montage and literarity into operators of a knowledge in ginga, subverting the dogma of the unimaginable and ?le partage policier du sensible? (Rancière, 2005). From this trajectory, I conclude that different subjectivations with journalistic images emerge from the experience of an emotion ? the emotion of pathos, active and creative, which intertwines with Exu. Or rather, this emotion, alive and wandering, is the very energy of Exu: movement, communication, crossing, and disequilibrium, the impulse that sets time spinning and turns the sensible into an experience in permanent flux. |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Jornalismo, Florianópolis, 2025. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/270841 |
| Date: | 2025 |
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| PJOR0235-T.pdf | 29.95Mb |
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