| Title: | Mulheres negras: sim, nós somos pesquisadoras |
| Author: | Fraga, Rosana Vargas |
| Abstract: |
Esta pesquisa investiga a produção de conhecimento por mulheres negras doutorandas, analisando os impactos interseccionais do racismo e do sexismo em suas trajetórias acadêmicas. Parte-se do pressuposto de que o espaço acadêmico opera como um espaço de reprodução de desigualdades estruturais, no qual os marcadores sociais de classe, raça e gênero funcionam como dispositivos de exclusão epistêmica. A presença de mulheres negras nesses espaços tensiona a lógica de exclusão que historicamente estrutura a universidade, ao mesmo tempo em que evidencia os efeitos contínuos dessas opressões ao longo da carreira acadêmica. As desigualdades enfrentadas por essas pesquisadoras não se iniciam com sua entrada na universidade, mas são intensificadas nesse ambiente, onde persistem estereótipos que colocam em dúvida sua capacidade intelectual. A marginalização epistêmica e a invisibilização de suas contribuições operam como mecanismos de silenciamento, comprometendo tanto o reconhecimento quanto a valorização de suas produções científicas. A universidade, nesse contexto, é analisada como um espaço legitimado de produção do saber, historicamente constituído sob uma lógica excludente e hierarquizante. Ao promover um conhecimento que beneficia apenas uma parcela da população ? majoritariamente branca, masculina e heteronormativa ?, a instituição contribui para a desqualificação de epistemologias outras, especialmente aquelas que emergem das experiências e vivências de mulheres negras. Os dados coletados por meio de entrevistas revelam que os obstáculos enfrentados por essas pesquisadoras transcendem o ingresso na academia. A universidade, ainda ancorada em paradigmas eurocêntricos, reproduz hierarquias de saber que inferiorizam corpos e pensamentos dissidentes. Evidencia-se que a articulação entre racismo e sexismo configura um sistema sofisticado de coerção acadêmica, que: (1) naturaliza estereótipos sobre a suposta inferioridade intelectual das mulheres negras; (2) impõe barreiras à consolidação de suas trajetórias; e (3) questiona a validade de seus aportes científicos. No entanto, as entrevistadas apontam para estratégias de resistência e ressignificação, através das quais afirmam sua presença e legitimam uma produção de conhecimento ancorada em epistemologias interseccionais. A pesquisa conclui que, apesar dos entraves, essas mulheres seguem reivindicando o direito de pensar, escrever e transformar o mundo a partir de seus próprios referenciais. Suas trajetórias desafiam o cânone científico dominante e exigem a desconstrução das narrativas opressoras ainda presentes na academia. Suas contribuições indicam a possibilidade de construção de um paradigma científico plural, capaz de reconhecer e valorizar saberes historicamente silenciados. Abstract: This research investigates the knowledge production of Black women doctoral students, analyzing the intersectional impacts of racism and sexism on their academic trajectories. It is based on the assumption that academia operates as a space for the reproduction of structural inequalities, in which the social markers of class, race, and gender function as devices of epistemic exclusion. The presence of Black women in these spaces strains the logic of exclusion that has historically structured the university, while also highlighting the ongoing effects of these oppressions throughout their academic careers. The inequalities faced by these researchers do not begin upon their entry into university, but are intensified in this environment, where stereotypes that cast doubt on their intellectual capacity persist. Epistemic marginalization and the invisibility of their contributions operate as mechanisms of silencing, compromising both the recognition and appreciation of their scientific output. The university, in this context, is analyzed as a legitimate space for the production of knowledge, historically constituted under an exclusionary and hierarchical logic. By promoting knowledge that benefits only a segment of the population?mostly white, male, and heteronormative?the institution contributes to the disqualification of other epistemologies, especially those that emerge from the experiences of Black women. Data collected through interviews reveal that the obstacles these researchers face transcend their entry into academia. The university, still anchored in Eurocentric paradigms, reproduces hierarchies of knowledge that demean dissident bodies and thoughts. It is evident that the articulation of racism and sexism constitutes a sophisticated system of academic coercion, which: (1) naturalizes stereotypes about the supposed intellectual inferiority of Black women; (2) imposes barriers to the consolidation of their trajectories; and (3) questions the validity of their scientific contributions. However, the interviewees point to strategies of resistance and reframing, through which they affirm their presence and legitimize a production of knowledge anchored in intersectional epistemologies. The research concludes that, despite the obstacles, these women continue to demand the right to think, write, and transform the world based on their own frameworks. Their trajectories challenge the dominant scientific canon and demand the deconstruction of oppressive narratives still prevalent in academia. Their contributions indicate the possibility of building a pluralistic scientific paradigm capable of recognizing and valuing historically silenced knowledge. |
| Description: | Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas, Florianópolis, 2025. |
| URI: | https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/270561 |
| Date: | 2025 |
| Files | Size | Format | View |
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| PICH0301-T.pdf | 1.979Mb |
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