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Abstract:
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A enxaqueca pediátrica é uma condição de alto impacto na qualidade de vida e com desafios
diagnósticos devido à sintomatologia diversa. Este estudo observacional e descritivo analisou
o perfil clínico da enxaqueca pediátrica e a resposta terapêutica à farmacologia abortiva e
profilática em um Hospital Terciário em Florianópolis, SC. Foram revisados 171 prontuários
de pacientes com enxaqueca entre 0 e 14 anos, 11 meses e 29 dias,
Os participantes tinham idade média de 10 anos e 4 meses, e predominância feminina (53,80%).
A maioria apresentava crises há mais de 6 meses (56,72%), com início entre 8 e 12 anos
(40,94%). A dor era predominantemente bilateral (67,25%), frontal (49,70%) e pulsátil
(55,55%), com náuseas/vômitos, fotofobia e fonofobia como sintomas associados, com
frequências semelhantes. Auras ocorreram em 19,88% dos casos, sendo visuais (58,82%) e
sensoriais (44,12%) as mais comuns.
Da amostra, 54,34% dos pacientes tinham comorbidades, com o sistema nervoso (53,76%) e
respiratório (17,20%) os mais afetados. TDAH, crises convulsivas inespecíficas, epilepsia e
deficiência intelectual foram as comorbidades neurológicas mais frequentes. Internações
prévias ocorreram em 17,54% dos pacientes. A história familiar de cefaleias foi positiva em
76,60% dos casos, sendo 83,20% enxaqueca.
Em termos farmacológicos, 68,42% necessitaram de medicação abortiva, sendo dipirona
(51,28%), paracetamol (38,46%) e ibuprofeno (22,22%) os mais usados, com taxas de resposta
de 53,33%, 53,33% e 50,00%, respectivamente. A terapia profilática foi necessária em 40,78%
da amostra, com flunarizina (n:43), amitriptilina (n:30), valproato de sódio (n:17) e topiramato
(n:14) como os mais prescritos. O topiramato apresentou as menores taxas de falha terapêutica
geral e em terapia sequencial, enquanto a flunarizina teve a menor taxa de falha em
monoterapia, mas a maior em terapia sequencial. Valproato de sódio e flunarizina tiveram as
maiores taxas de sucesso em monoterapia, e topiramato, valproato de sódio e propranolol em
terapia sequencial. Os efeitos adversos mais comuns foram sonolência e agitação,
principalmente com flunarizina. |