A psicanálise para além da confissão: a escuta psicanalítica ao simbolismo inconsciente

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A psicanálise para além da confissão: a escuta psicanalítica ao simbolismo inconsciente

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Title: A psicanálise para além da confissão: a escuta psicanalítica ao simbolismo inconsciente
Author: Rossi, Wesley Golfe
Abstract: A presente dissertação tem como objetivo discutir a noção de clínica derivada das práticas e reflexões de Freud e em que sentido ela inaugura um novo marco ou modo de relação entre pacientes e profissionais. Isso implica interrogar o estatuto do sujeito que ocupa o centro da prática clínica psicanalítica, evidenciando o caráter simbólico que o constituem, mas, sobretudo, problematizar o lugar do analista como operador dessa escuta, que se define não pela aplicação de um saber absoluto, mas pela sustentação de uma posição ética, levando a clínica do campo da episteme para o campo da ética. Para dar conta desse objetivo, enfrentar-se-á a crítica que busca vincular a escuta psicanalítica à prática da confissão, seja ela religiosa ou psiquiátrica, tal como se pode ler em algumas das obras de Michel Foucault. Mesmo tendo admitido que o nascimento da Psicanálise corresponde ao nascimento de uma crítica aos saberes vigentes, as análises de Foucault denunciam a grande proximidade e até mesmo uma filiação histórica da Psicanálise com a confissão. Contra essa perspectiva, buscaremos mostrar o porquê a psicanálise não é uma prática que se reduz à confissão. O estudo argumenta que o analista não seria o produtor de uma verdade sobre o sujeito, seu objetivo seria, a partir das construções em análise e da interpretação, possibilitar a elaboração dos conteúdos apresentados pelo paciente. A partir da clínica freudiana demonstra-se que embora as proposições de Foucault tenham um grande valor do ponto de vista crítico, a dinâmica psicanalítica fundamenta-se na perlaboração contínua do sujeito. Portanto, o poder dado ao analista deve ser conduzido para a direção do tratamento e nunca para a direção da vida do paciente. Desse modo, a posição ética do analista seria àquela de marcar uma falta, onde essa falta dissolveria a fantasia de completude, possibilitando ao analisante a produção de um saber sobre si, transformando aquilo que seria um sofrimento em uma infelicidade comum.Abstract: This dissertation aims to discuss the notion of the clinic derived from Freud?s practices and reflections, and in what sense it inaugurates a new framework or mode of relationship between patients and professionals. This involves questioning the status of the subject that occupies the center of psychoanalytic clinical practice, highlighting the symbolic character that constitutes them, but, above all, problematizing the analyst's position as the operator of this listening ? a position defined not by the application of absolute knowledge, but by the sustaining of an ethical stance, shifting the clinic from the field of episteme to the field of ethics. To achieve this objective, we will address the criticism that seeks to link psychoanalytic listening to the practice of confession, whether religious or psychiatric, as it appears in some of Michel Foucault?s works. Even though Foucault acknowledged that the birth of psychoanalysis corresponds to the birth of a critique of prevailing knowledge, his analyses reveal a strong proximity ? even a historical affiliation ? between psychoanalysis and confession. Against this perspective, we aim to show why psychoanalysis should not be reduced to a practice of confession. This study argues that the analyst is not a producer of a truth about the subject; rather, their objective is to enable the elaboration of the patient?s presented content through analytical constructions and interpretation. Based on Freud?s clinic, it is demonstrated that although Foucault?s propositions are critically valuable, psychoanalytic dynamics are founded on the continuous working through (Durcharbeitung) of the subject. Therefore, the power attributed to the analyst must be directed toward the treatment process and never toward governing the patient?s life. In this sense, the ethical position of the analyst is to mark a lack ? a lack that dissolves the fantasy of completeness, enabling the analysand to produce knowledge about themselves, transforming what would otherwise be intense suffering into ordinary unhappiness.
Description: Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Florianópolis, 2025.
URI: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/269449
Date: 2025


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