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Abstract:
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Os Cuidados Paliativos Pediátricos (CPP) devem ser reconhecidos como um direito humano e iniciados a partir do diagnóstico de doenças graves e sem perspectiva de cura que acometem crianças e adolescentes. Visam aliviar o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual de pacientes pediátricos, bem como apoiar suas famílias. Nesse cenário, a participação do psicólogo assume papel significativo, embora ainda haja carência tanto de serviços estruturados, quanto de formação especializada. Este estudo buscou caracterizar as intervenções psicológicas em CPP e fim de vida, realizadas por psicólogos paliativistas pediátricos. Para tanto, considerou-se os referenciais teóricos, as técnicas utilizadas, os mecanismos de ação, os resultados esperados e os modos de oferta das intervenções psicológicas. Adotou-se delineamento qualitativo, descritivo e exploratório, com a participação de 13 psicólogas atuantes na área. A coleta de dados foi realizada em formato on-line, por meio de questionário sociodemográfico e entrevista em profundidade. A análise dos dados ocorreu através de Análise Temática Reflexiva, com apoio do software ATLAS.ti Web 25. Os achados evidenciaram um conjunto diversificado de intervenções, que foram organizadas em quatro categorias temáticas: Conteúdo, Mecanismo proposto, Resultados alvo e Método de entrega. Identificou-se que, em relação ao Conteúdo, as intervenções psicológicas foram descritas através de suporte clínico-relacional; orientação e pactuação de cuidados; gestão e controle do sofrimento; e significação da despedida. Referente ao Mecanismo proposto, a mediação expressiva e espiritual; a autorregulação e alívio sintomático; e a continuidade do cotidiano foram as formas mencionadas. Com relação ao Resultado alvo, observou-se que as decisões compartilhadas; o bem estar emocional e físico; e a dimensão biopsicossocial foram os desfechos citados pelas participantes. Já em termos de Método de entrega, a modalidade individual foi prevalente, a frequência de atendimentos foi variável, a condução da intervenção pelo psicólogo foi a mais frequente, e o referencial teórico da Psicanálise o mais citado. O local de realização das intervenções psicológicas foi predominantemente o hospital e os materiais e recursos (lúdicos, gráficos e interativos), somados aos registros memoriais e aos legados afetivos, foram os mais destacados pelas participantes. Conclui-se que as intervenções psicológicas em CPP se caracterizam pela multiplicidade de abordagens e pela centralidade na integralidade do cuidado, orientada para a redução do sofrimento e a construção de significados. Apesar da relevância dessas práticas, ainda persistem lacunas na formação especializada, indicando a urgência de investimentos em capacitação profissional e no avanço das pesquisas na área. |