O coral-sol (Tubastraea coccinea) e sua preferência entre as diferentes formações geomorfológicas: padrões observados na REBIO Arvoredo e áreas adjacentes
O coral-sol (Tubastraea coccinea) e sua preferência entre as diferentes formações geomorfológicas: padrões observados na REBIO Arvoredo e áreas adjacentes
O coral-sol (Tubastraea coccinea) e sua preferência entre as diferentes formações geomorfológicas: padrões observados na REBIO Arvoredo e áreas adjacentes
Author:
Raucci, Victoria Rus Peres
Abstract:
Nos anos 80, o coral-sol (Tubastraea coccinea, Cnidaria, Scleractinea) foi introduzido no Brasil através da bioincrustação em estruturas petrolíferas. Atualmente, distribui-se amplamente pela costa, colonizando estruturas artificiais, recifes rochosos e coralíneos. O primeiro registro no sul do Brasil e, até então, o mais austral do Atlântico Sul, ocorreu em 2012 na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo seguido de novas detecções nos anos seguintes, evidenciando rápida dispersão na área. Como a detecção e gestão de bioinvasões marinhas pode ser dificultada pela limitação de recursos e vasta extensão da maioria dos habitats, o monitoramento sistemático de Espécies Exóticas Invasoras aliado a modelos que considerem a preferência do coral-sol por determinadas formações rochosas pode ser uma ferramenta eficaz no controle da espécie, atuando em conjunto com os princípios da Detecção Precoce e Resposta Rápida (DPRR). O objetivo deste trabalho é analisar a relação entre as formações dos costões rochosos e a intensidade de ocorrência do coral-sol na costa catarinense. Cada localidade foi monitorada por mergulho autônomo e snorkelling e a intensidade da invasão do coral-sol foi quantificada por uma escala semi-quantitativa de abundância (DAFOR). As formações do substrato rochoso foram classificadas em Grutas e Cavernas (GC), Tocas e Fendas (TF), Rochas Pequenas e Médias (RPM), Matacões e Paredões (MP) e Lajes (L), e sua área de abrangência quantificada por uma escala semi-quantitativa (DAFOR-GEO). A relação entre a intensidade da invasão do coral-sol e as classes de formações foi avaliada por Modelos Lineares Generalizados Mistos (GLMM) a partir dos valores de Critério de Informação de Akaike corrigido (AICc) e da análise visual da distribuição de resíduos (AVDR). A priorização de áreas para monitoramento e manejo foi feita pelo resultado de cada localidade no melhor modelo. O modelo final, com efeito aleatório da localidade e offset do total de minutos mergulhados em cada local, resultou em uma relação positiva dominante com MP e secundária com TF, indicando que áreas com a maior média de caracterizações geomorfológicas mais abrigadas da luz e/ou não expostas possuem maior probabilidade de ocorrência de coral-sol. As localidades mais críticas são as que já apresentam alta ocorrência da espécie e estão dentro ou próximas da REBIO Arvoredo, indicando a necessidade de priorizar ações nas proximidades. Conclui-se que as formações dos costões rochosos da costa catarinense potencialmente influenciam na intensidade de ocorrência do coral-sol, principalmente quando relacionadas à dominância de formações do tipo matacões e paredões e tocas e fendas. Assim, a aplicação da metodologia no caso de T. coccinea contribui para o manejo ao identificar e priorizar áreas mais suscetíveis à invasão, otimizando esforços e recursos e sendo fundamental para o controle da bioinvasão, uma vez que permite apontar e monitorar habitats favoráveis ao assentamento da espécie.
Description:
Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica.
Universidade Federal de Santa Catarina.
Centro de Ciências Biológicas.
Departamento de Ecologia e Zoologia.