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Abstract:
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O projeto de pesquisa intitulado Narcotráfico e Militarização: Perspectiva Comparada entre Brasil, México, América Central e Caribe busca examinar as complexas dinâmicas de segurança na América Latina, com foco no narcotráfico e na militarização da segurança pública. Conduzido de agosto de 2024 a agosto de 2025, o projeto desafia a narrativa de que a região é uma "zona de paz" , pois a América Latina e o Caribe registram a maior taxa de homicídios do mundo. Essa violência, associada ao narcotráfico, é frequentemente combatida com políticas de segurança militarizadas. A pesquisa contribuiu para a construção de uma base de dados empírica, essencial para uma análise multifacetada do tema. O trabalho se alinha à missão do projeto de questionar o fracasso da "guerra às drogas" e o aumento da militarização como resposta estatal à violência. O projeto de pesquisa busca analisar as políticas de repressão ao tráfico de drogas nos últimos dez anos, em perspectiva comparada, com foco em regiões do Brasil, México, Costa Rica e Trinidad e Tobago. As questões de pesquisa são: em que medida as políticas contra o narcotráfico nesses locais convergem na militarização como estratégia? E, nestes casos, as políticas são militarizadas?. A relevância do projeto está em aprofundar o debate sobre as implicações sociais e políticas dessas estratégias, promovendo o respeito aos direitos humanos. A metodologia utiliza uma abordagem mista e o método comparado. A bolsista de iniciação científica contribuiu para a elaboração de uma base de dados empírica, transcrevendo 27 entrevistas semiestruturadas que foram conduzidas pela orientadora. As entrevistas foram realizadas em Monterrey e Tijuana, no México, além de uma em Caiena, na Guiana Francesa. Na frente quantitativa, classificou cerca de 350 notícias de jornal sobre violência em Nuevo León e sistematizou recomendações da Comissão Estatal de Direitos Humanos de Baja Califórnia entre os anos de 2010 a 2024. A equipe de pesquisa reúne pesquisadores da UFSC, UFPB, UNIFAP, Universidade de Baja California, Instituto Tecnológico de Monterrey, University for Peace, University of West Indies e University of California, Riverside. Os entrevistados incluíram autoridades (diretores de escolas de polícia, ex-policiais, um ex-secretário de segurança), membros da Fuerza Civil, jornalistas e ativistas pelos direitos humanos. A execução do plano de atividades pela bolsista foi crucial, fornecendo um alicerce empírico para as análises futuras. A base de dados compilada, a partir das transcrições e planilhas, reforça a crítica à militarização como uma estratégia que, em vez de garantir segurança, agrava a desigualdade social, afetando desproporcionalmente comunidades marginalizadas. A pesquisa, ao aprofundar a reflexão sobre as relações civis-militares e a militarização, busca ir além da academia, informando a formulação de políticas públicas e qualificando o debate em torno da defesa dos direitos humanos e do fortalecimento da democracia. |