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Abstract:
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Introdução:
O envelhecimento populacional no Brasil tem aumentado a prevalência de doenças crônicas e seus impactos na qualidade de vida. Condições cardiometabólicas e osteomusculares estão entre as principais causas de incapacidade e podem se associar a sintomas depressivos, agravando o curso clínico e comprometendo a saúde mental dos idosos. O objetivo do estudo foi investigar a associação entre doenças crônicas cardiometabólicas e osteomusculares e a presença de sintomas depressivos em idosos brasileiros.
Métodos:
Estudo transversal analítico com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (2019). Foram incluídos 22.726 indivíduos com 60 anos ou mais. Sintomas depressivos foram avaliados pelo PHQ-9 (ponto de corte ≥10). As doenças crônicas foram autorreferidas, agrupadas em cardiometabólicas (hipertensão, diabetes, dislipidemia, doenças cardíacas e AVC) e osteomusculares (artrite/reumatismo, problemas de coluna, DORT). As associações foram estimadas por regressão logística, ajustadas por fatores sociodemográficos e de saúde, considerando pesos amostrais.
Resultados:
A prevalência de sintomas depressivos foi de 10,7% (IC95%: 10,0–11,5). Idosos com colesterol elevado (OR=1,64; IC95%: 1,40–1,92), doença cardíaca (OR=2,12; IC95%: 1,76–2,55) e AVC (OR=2,09; IC95%: 1,65–2,64) apresentaram maior chance de sintomas depressivos. Multimorbidade cardiometabólica também se associou ao desfecho (OR=1,70; IC95%: 1,48–1,97). Entre as doenças osteomusculares, problemas de coluna (OR=1,76; IC95%: 1,50–2,05), artrite/reumatismo (OR=1,86; IC95%: 1,57–2,20), DORT (OR=2,48; IC95%: 1,60–3,84) e multimorbidade osteomuscular (OR=2,18; IC95%: 1,79–2,66) mantiveram associações significativas.
Conclusão:
Doenças crônicas, especialmente as osteomusculares, estiveram fortemente associadas a sintomas depressivos em idosos. A coexistência de múltiplas condições e a presença de dor e limitação funcional reforçam a necessidade de estratégias integradas de cuidado que incluam a avaliação da saúde mental no manejo da multimorbidade. |