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Abstract:
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A insatisfação corporal é definida como a discrepância entre a silhueta percebida e a idealizada, sendo influenciada por fatores biológicos, psicológicos e socioculturais. É um fenômeno que se torna mais evidente durante a adolescência, período de intensas transformações. As meninas, geralmente, desejam uma silhueta mais magra, enquanto os meninos almejam maior desenvolvimento muscular. A objetificação do corpo feminino na mídia expõe as meninas a uma pressão estética ainda maior. A pandemia de COVID-19, com o consequente aumento do uso de redes sociais, pode ter intensificado essa insatisfação devido à maior exposição a padrões estéticos idealizados. Diante desse cenário, este estudo tem como objetivo avaliar a percepção da imagem corporal em adolescentes do município de Barreiras, Bahia, após a pandemia de COVID-19, identificando fatores associados à insatisfação corporal.
A metodologia consistiu em um estudo transversal, de base escolar, envolvendo 668 adolescentes de 15 a 19 anos matriculados em escolas públicas de Barreiras, Bahia. A coleta de dados ocorreu entre outubro de 2023 e maio de 2024, por meio de um questionário autoaplicado. As análises foram realizadas utilizando frequências e o teste Qui-Quadrado de Pearson, com significância estatística definida por p < 0,05. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Oeste da Bahia (parecer nº 6.007.338).
Os resultados revelaram que, dos 399 adolescentes que responderam sobre sua imagem corporal, 232 (58,2%) relataram insatisfação. Uma associação significativa foi encontrada entre imagem corporal e sexo, com as meninas apresentando maior insatisfação (63,8%) em comparação aos meninos (36,2%) (p < 0,05). Este achado está alinhado com a literatura, que sugere uma maior prevalência de insatisfação corporal entre meninas devido à maior pressão social e midiática sobre sua aparência.
Apesar de 52,4% dos adolescentes se considerarem com um corpo "normal", a alta taxa de insatisfação (58,2%) sugere que essa percepção vai além do peso objetivo, sendo influenciada por padrões estéticos inalcançáveis impostos pela mídia. Além disso, mais da metade dos adolescentes manifestou o desejo de modificar seu peso (25,1% queriam perder e 34,6% queriam ganhar), indicando uma insatisfação generalizada. Este alto índice pode ter sido intensificado pelo aumento da exposição às redes sociais durante a pandemia de COVID-19, um período em que muitos adolescentes consumiram mais conteúdos que reforçam ideais estéticos irreais.
Em conclusão, destaca-se uma alta prevalência de insatisfação corporal entre adolescentes, especialmente entre as meninas, que pode estar relacionada a pressões sociais e midiáticas e a padrões estéticos idealizados. Os achados reforçam a necessidade de intervenções educativas e psicossociais para promover uma imagem corporal mais positiva e contribuir para a saúde mental e o bem-estar dos adolescentes |